Prezados amigos e amigas,

O presente Blog, tem a finalidade de ser mais um instrumento de valorização da família.
Por isso trará sempre artigos relacionados a esse tema, abordando os diversos aspectos que envolvem a formação de uma família sadia e segundo os preceitos cristãos, além de enfocar os diversos aspectos do relacionamento familiar.
Esperamos assim, que possa servir como um meio de reflexão, ajuda e fortalecimento àquelas famílias que encontram-se em situação difícil.

Que Deus nos ajude nessa empreitada.

Pedimos ainda que a Sagrada Família abençoe e proteja a todas as famílias do mundo inteiro. Amém !

José Vicente Ucha Campos
jvucampos@gmail.com

segunda-feira, 21 de março de 2011

FAMÍLIA COM PAI E MÃE, COISA DO PASSADO?!

Crianças deixadas de lado, enquanto a paternidade é redefinida

Estruturas familiares e regras de paternidade estão sendo redefinidas sem considerar as necessidades das crianças.

Isto é um alerta de uma reportagem recém-publicada, na qual se descreve tendências mundiais na legislação familiar e na tecnologia reprodutiva.

«The Revolution in Parenthood: The Emerging Global Clash Between Adult Rights and Children's Needs» («A Revolução na Paternidade: O emergente choque global entre os direitos dos adultos e as necessidades das crianças») foi publicado pela Commission in Parenthood's Future.

A comissão "é um grupo independente, não partidário, de especialistas e líderes," ativos na área da família, de acordo com um boletim de imprensa do website do Institute for American Values.

O instituto, com sede em Nova York, é uma das organizações por detrás da comissão.

A autora do informe é Elizabeth Marquardt, membro da comissão e autora do livro «Between Two Worlds: The Inner Lives of Children of Divorce» («Entre Dois Mundos: Vidas íntimas dos filhos do Divórcio»). O relatório registra que as tendências mundiais na legislação e nas tecnologias reprodutivas estão redefinindo paternidade de forma a colocar os interesses de adultos acima das necessidades dos filhos.

«O modelo de paternidade de duas pessoas, pai e mãe» indica, está sendo mudado a fim de se adequar aos direitos dos adultos ao invés das necessidades das crianças de conhecer seus pais e serem criados, sempre que possível, por uma mãe e um pai».

A revolução na paternidade descrita na publicação compreende uma variedade de assuntos: altas taxas de divórcio; crianças criadas por um só progenitor; o crescente uso de doadores de óvulos e espermatozóides; apoio aos casamentos homossexuais; e propostas que permitem que as crianças concebidas com o uso de óvulos e espermatozóides de doadores, tenham três progenitores legais.

Uma revolução legal !?

A reportagem traz um número de exemplos de mudanças legais de grande envergadura na família, frequentemente introduzidas sem um profundo debate.

- No Canadá, a lei que permite casamento homossexual também incluía uma clausula que eliminava o termo «pais naturais» da lei federal, trocando por «pais legais». Com essa lei, o lugar onde se define quem são os pais de uma criança está precipitadamente substituído da natureza ao estado, com conseqüências ainda desconhecidas.

- Na Espanha, logo após a legalização do casamento homossexual, o governo mudou o formato da certidão de nascimento de todas as crianças. No futuro se lerá «Progenitor A» e «Progenitor B», ao invés de «mãe» e «pai».

- Na Índia, as diretrizes para a tecnologia de reprodução assistida, publicadas em junho de2005, estabelecem que na situação em que crianças nascidas pelo uso de esperma ou óvulo doado, essas não terão nenhum direito de saber a identidade dos pais genéticos.

A pressão para outras mudanças mais radicais estão também a caminho.

- Na Nova Zelândia e na Austrália, as comissões legais propuseram permitir que crianças concebidas com o uso de óvulos e espermatozóides doados tenham três pais legais. A proposta falha em como indicar o que ocorre se os três pais se separarem e brigassem pela guarda da criança.

- Há um crescente suporte de comissões legais influentes e de catedráticos de direito no Canadá e nos Estados Unidos para a legalização de acordos matrimoniais em grupo, como a poligamia e o poliamor, que envolve um relacionamento de três ou mais pessoas.

- Na Irlanda uma comissão sobre reprodução humana propôs que um casal que paga por uma criança através de uma mãe de aluguel deveria automaticamente ser os pais legais da criança, deixando a mulher que dá a luz à criança sem nenhum direito ou proteção legal no caso dela mudar de idéia.

- A França é um dos poucos países resistindo às acometidas de mudança na lei familiar. Um relatório parlamentar sobre a família e direitos das crianças, publicado em janeiro, indicava que «o desejo por uma criança parece ter passado a ser um direito à criança».

O relatório francês também recomendava a não legalização do casamento homossexual. Entre as razões dadas foi a preocupação sobre a identidade e desenvolvimento da criança quando a lei cria uma situação em que há «dois pais ou duas mães - o que biologicamente não é real nem plausível». O relatório parlamentar insistiu na necessidade de uma justificação médica para procriação assistida, e deve permanecer a proibição de mães de aluguel.

Primeiro os adultos em «Revolution in Parenthood», a autora, Marquardt explica que as mudanças na paternidade e na estrutura familiar estão levando a um confronto entre os interesses dos pais e das crianças. «Essa redefinição», alerta, «progressivamente enfatiza o direito dos adultos ao das crianças ao invés das necessidades das crianças de saberem e serem criadas, na medida do possível, por uma mãe e um pai».

«Uma boa sociedade protege o interesse de seus mais vulneráveis cidadãos, especialmente as crianças», afirma o relato da Marquardt. «Mas a própria base da instituição vem sendo fundamentalmente redefinida, frequentemente de modo a se orientar primeiramente pelos direitos dos adultos».

Um fio condutor comum na maioria das mudanças é o alegado «direitos a um filho». O desejo de se ter uma criança é sem dúvida «uma poderosa força profundamente sentida na alma», admite Marquardt, e a incapacidade de se ter um filho próprio é sentido como uma grande perda. «Mas» ela acrescenta, «os direitos e necessidades dos adultos que desejam trazer ao mundo uma criança não é o único lado da história».

A adoção vem sendo há muito tempo disponível para pais que não podiam ter um filho. Mas o uso de métodos de reprodução assistida vem transformando a situação, levando a uma separação deliberada das crianças de suas mães e pais biológicos. A biologia, evidentemente, não é tudo, aponta o relato, mas ao mesmo tempo importa.

As estruturas familiares também são cruciais às crianças. Estudos sobre a vida dos filhos de pais separados mostram grandes conseqüências negativas para eles, não suficientemente consideradas quando se introduziu o divórcio livre.

A primeira geração de bebês de proveta está chegando à maioridade. Eles foram principalmente concebidos por pais heterossexuais casados usando um doador de espermatozóides. Marquardt cita um número de casos em que as crianças estão falando sobre o poderoso impacto em suas identidades quando os adultos propositalmente concebem uma criança com a clara intenção de separar a criança de seus pais biológicos. Os jovens costumam dizer que se lhes foi negado o direito a conhecer seus pais biológicos.

De fato, muitos desses adolescentes e adultos estão formando organizações e estão usando a internet para tentarem entrar em contato com seus doadores e acharem seus meio-irmãos também concebidos por esses espermatozóides.

Consentimento:

Um assunto levantado pelos filhos gerados por um doador é que o consentimento informado pela parte mais vulnerável, a criança, não é obtido em procedimentos tecnológicos reprodutivos que intencionalmente separam as crianças de seus pais biológicos.

«Revolution in Parenthood» observa que nas recentes décadas, vem emergindo um consenso poderoso entre cientistas sociais sobre os benefícios do casamento para uma criança. A atual redefinição de paternidade, diz o relato, está transformando a cultura e o sistema legal «de modo a contribuir para uma mais profunda incerteza no significado de paternidade e maternidade».

Por exemplo, nos Estados Unidos, pelo menos 10 Estados permitem que pessoas, sem relação biológica ou de adoção, e sem relação marital com nenhum dos progenitores da criança, possam ter direitos parentais e responsabilidades como sendo de fato o pai ou o pai psicológico.

«Na lei e na cultura, o modelo natural de pais, o modelo pai e mãe está desabando, sendo trocado pela idéia de que crianças ficam bem com qualquer um ou mais adultos que possam ser chamados de pais, desde que os pais apontados sejam boas pessoas», comenta a reportagem.

Essas mudanças terão conseqüências de grande envergadura para a família, as crianças e a sociedade. «Aqueles de nós que estiverem preocupados», conclui a reportagem, «podem e devem liderar um debate sobre a vida das crianças e o futuro da paternidade».
Pe. John Flynn

Fonte: Site www.zenit.org

sábado, 19 de março de 2011

“Nossas casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios e vivemos sós!”

Gregório Vivanco Lopes

O Prof. José Antônio Oliveira de Resende da Universidade Federal em São João d’El-Rey (MG) faz um depoimento interessante. Ele descreve alguns hábitos familiares de outrora, ainda perfumados pelo que restava de civilização cristã, e hoje desaparecidos, submersos que foram pela enxurrada do paganismo moderno.
Fala-nos das visitas que as famílias se faziam, e que constituíam costume ainda na década de 1950. Vinham impregnadas daquele prazer inocente da família católica, como resto ainda vivo da civilização cristã outrora pujante. Vamos ao texto:

“Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho, porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.

E os donos da casa recebiam alegres a visita: ‘Vamos nos assentar, gente! Que surpresa agradável!’

A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre, e minha mãe de papo com a comadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro, casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.

Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras, que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, alguém lá da cozinha, geralmente uma das filhas, dizia: Gente, vem aqui pra dentro, que o café está na mesa.

O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite… tudo sobre a mesa.

Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança… Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam…. era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade…

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos… até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou, e me formei em solidão. Para isso tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail… Cada um na sua, e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa, e as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.”
Fonte: Site da Comunidade Shalom - Blog Carmadélio
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Comentário do Blog:
Os queridos amigos e amigas vão me perdoar, mas vou aproveitar o texto acima para expor minhas opiniões a respeito do tema que foi abordado pelo professor José Antonio. Vamos lá:

Com certeza os hábitos das famílias de hoje em dia são muito menos saudáveis do que os das famílias de antigamente. Muitos podem dizer: "Ah, mas isso é normal! É a tecnologia, o desenvolvimento!"
Com certeza. E se não fosse a tecnologia, não estaríamos hoje conversando com vocês por meio deste Blog.
Mas, existem certas coisas que mudaram e que não deveríam ter mudado. Por exemplo:
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- As refeições das famílias
Antigamente, todos comiam no mesmo horário, sentados juntos à mesa, onde compartilhavam suas vidas com seus familiares. Contavam as novidades do dia, suas angústias, suas alegrias etc.
Hoje em dia cada um come num horário, uns com o prato de comida junto ao computador, outros com o prato de comida sobre o colo na frente da TV, outro no quarto...e assim vai.
Onde há espaço assim para a conversa e para a troca de experiências familiares?

- O assistir TV
Me lembro como se fosse ainda hoje, que à noitinha, depois do jantar em família, nos juntávamos todos, amontoados numa pequena sala, para assistir TV. Ali ficávamos juntinhos, meu pai, minha mãe, minha tia(que morava conosco), eu e meus três irmãos. Muitas vezes nem ligávamos para o que estava passando, pois ficávamos conversando. Só a situação de ficarmos enroscados uns nos outros, já era muito acolhedora e gratificante.
Hoje, praticamente cada membro da família tem uma TV em seu quarto ou mesmo um computador. Quando vão chegando do trabalho ou do curso, ou seja lá do que for, pegam seu prato de comida, como falamos acima, e vão para os seus aposentos; e, ali ficam até altas horas da noite, até dormirem. Não há o contato familiar, não há o aconchego.

- O sair junto
Antigamente, como o texto principal nos disse, as famílias saíam juntas (pai, mãe, filhos,...).
Hoje em dia, dificilmente se vê uma família completa passeando por aí. Na maioria das vezes vê-se o pai e a mãe sozinhos. Os filhos? Ah, foram passear com seus colegas. Aí sim em grupos.
É corriqueiro também se ver o pai com um filho ou filha, passeando pelo shopping. Cadê a mãe? Perdão, mas já estão separados.

E assim vai acontecendo na vida das famílias de hoje em dia.
Será que não está na hora de darmos uma guinada nessa situação?
Será que não está na hora de darmos mais valor a convivência familiar, seja no lar ou nos ambientes externos?
Será que não está na hora de voltarmos a ter o aconchego familiar?

Pensem nisso e que a Sagrada Família nos ajude nessa caminhada. Amém!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Posso contar “contos de fadas” para os meus filhos?

Esconder dos seus filhos histórias clássicas como Branca de Neve e Rapunzel pode não ser uma boa ideia. De acordo com um livro lançado na Grã-Bretanha, não há porque se preocupar com os esteriótipos presentes nos contos de fadas: eles escondem lições de moral importantes para o desenvolvimento das crianças.

Sally Goddard Blythe, autora de The Genius of Natural Childhood, argumenta que essas histórias nutrem um comportamento moral e mostram às crianças a força e a fraqueza da espécie humana ao constrastar o bem e o mal, o pobre e o rico, a vaidade e a valentia. Embora os contos de fadas abordem temas difíceis, como a morte de um pai em Cinderela, eles preparam para a vida no mundo real, opina Blythe.

“Longe de demonizar os anões, a história da Branca de Neve mostra que, apesar das diferenças físicas, existe bondade e generosidade”, escreve a autora em seu livro, acrescentando que, em uma sociedade onde a riqueza e beleza são celebradas, essa pode ser uma importante lição a ser aprendida. “Essas histórias não são crueis e discriminatórias. Elas ajudam a entender as peculiaridades e as fraquezas do comportamento humano em geral, além de aceitar muitos dos seus próprios medos e emoções.”

Os eforços da escritora em mostrar os benefícios dos contos de fadas parece ter um motivo. Uma pesquisa realizada com 3.000 pais britânicos mostrou que um quarto deles rejeitava algum tipo de conto de fadas por acreditar que os contos não eram politicamente corretos. Ainda segundo a pesquisa, os pais acreditam que histórias como Cinderela e Rapunzel podem causar algum trauma emocional nas crianças.

Vale sempre ressaltar para as crianças, no entanto, que todas essas histórias são fantasias e que seus personagens não passam de seres imaginados pelos autores. Mas é salutar sempre ressaltar as coisas erradas e as certas, quem é bom e quem é mau, e o que existe e o que não existe na realidade, nas respectivas historinhas. Tomando-se esses cuidados, os "contos de fadas", não fazem mal algum para as crianças, ao contrário, ajuda-as no seu imaginário e a montarem os seus "mundos das fantasias". É a mesma coisa que permitir que a criança acredite em papai-noel, até certa idade. Não faz mal algum.

O que é importante que os pais façam, é mostrar sempre  aos seus filhos, as coisas certas e erradas na vida, as coisas boas e más, utilizando sempre uma linguagem adequada às suas idades e compreensão, fazendo com que seus filhos, desde cedo, saibam o que é o certo e o que é o errado.

Conheço pais que por questões religiosas, não deixam seus filhos terem acesso a nenhuma historinha de "contos de fadas" por acharem que eles vão acreditar em fadas e duendes quando crescerem, mas, em compensação dão liberdade total a eles, não lhes impondo nenhum tipo de limite. As crianças fazem o que querem e na hora que querem.
Com certeza essas crianças vão se tornar adultos que não acreditam em fadas, mas, em compensação, também não vão acreditar que não podem fazer o que querem e na hora que querem sem prejudicar os outros ou prejudicar a liberdade dos outros, pois também nunca aprenderam isso.

É tudo uma questão de equilíbrio e de não esconder a verdade e a realidade de nossos filhos ainda quando crianças. É uma questão de respeitar as diversas fases de desenvolvimento pelas quais todas as crianças passam, e uma delas, com certeza, é a fase da fantasia, na qual as historinhas de "contos de fadas" podem ajudar.

Outra coisa muito importante que os pais devem ensinar a seus filhos, ainda quando crianças, é as sobre coisas de Deus, mas nesse aspecto não deve ser colocada nenhuma fantasia, e sim a realidade da história de Jesus e de sua Igreja, contada desde cedo, numa linguagem infantil.

Adaptação do texto original tirado do site da Comunidade Shalom - Blog Carmadélio 
Por JVUC

quarta-feira, 16 de março de 2011

A DIFÍCIL ARTE DE DIZER NÃO AOS FILHOS

Você costuma dizer “não” aos seus filhos?
Considera fácil negar alguma coisa a essas criaturinhas encantadoras e de rostos angelicais que pedem com tanta doçura?
Uma conhecida educadora do nosso País alerta que não é fácil dizer não aos filhos, principalmente quando temos os recursos para atendê-los.
Afinal, nos perguntamos, o que representa um carrinho a mais, um brinquedo novo se temos dinheiro necessário para comprar o que querem?
Por que não satisfaze-los?
Se podemos sair de casa escondidos para evitar que chorem, por que provocar lágrimas?
Se lhe dá tanto prazer comer todos os bombons da caixa, por que faze-lo pensar nos outros?
E, além do mais, é tão fácil e mais agradável sermos “bonzinhos”…
O problema é que ser pai é muito mais que apenas ser “bonzinho” com os filhos. Ser pai é ter uma função e responsabilidade sociais perante os filhos e perante a sociedade em que vivemos.
Portanto, quando decidimos negar um carrinho a um filho, mesmo podendo comprar, ou sofrendo por lhe dizer “não”, porque ele já tem outros dez ou vinte, estamos ensinando-o que existe um limite para o ter.
Estamos, indiretamente, valorizando o ser.
Mas quando atendemos a todos os pedidos, estamos dando lições de dominação, colaborando para que a criança aprenda, com nosso próprio exemplo, o que queremos que ela seja na vida: uma pessoa que não
aceita limites e que não respeita o outro enquanto indivíduo.
Temos que convir que, para ter tudo na vida, quando adulto, ele fatalmente terá que ser extremamente competitivo e provavelmente com muita “flexibilidade” ética, para não dizer desonesto.
Caso contrário, como conseguir tudo? Como aceitar qualquer derrota, qualquer “não” se nunca lhe fizeram crer que isso é possível e até normal?
Não se defende a idéia de que se crie um ser acomodado sem ambições e derrotista. De forma alguma. É o equilíbrio que precisa existir: o reconhecimento realista de que, na vida às vezes se ganha, e, em outras, se perde.
Para fazer com que um indivíduo seja um lutador, um ganhador, é preciso que desde logo ele aprenda a lutar pelo que deseja sim, mas com suas próprias armas e recursos, e não fazendo-o acreditar que alguém lhe dará tudo, sempre, e de “mão beijada.”
Satisfazer as necessidades dos filhos é uma obrigação dos pais, mas é preciso distinguir claramente o que são necessidades do que é apenas consumismo caprichoso.
Estabelecer limites para os filhos, é necessário e saudável.
Nunca se ouviu falar que crianças tenham adoecido porque lhes foi negado um brinquedo novo ou outra coisa qualquer.
Mas já se teve notícias de pequenos delinqüentes que se tornaram agressivos quando ouviram o primeiro não, fora de casa.
Por essa razão, se você ama seu filho, vale a pena pensar na importância de aprender a difícil arte de dizer não.
Vale a pena pensar na importância de educar e preparar os filhos para enfrentar tempos difíceis, mesmo que eles nunca cheguem.
Do livro “Repositório de Sabedoria” vol I.

Fonte: Site da Comunidade Shalom - Blog Carmadélio

sexta-feira, 4 de março de 2011

O QUE AS CRIANÇAS VÊEM, AS CRIANÇAS FAZEM...

Prezados amigos, os bons exemplos são os melhores tesouros que os pais podem dar para seus filhos.
Os filhos são normalmente espelhos dos pais. Copiam suas atitudes, seus gestos, mesmo que ainda não saibam bem o que estejam fazendo, mas, reproduzem o que vêem.

Desta forma, os pais têem uma respondabilidade muito grande para com seus filhos, com relação ao seu comportamento. É um verdadeiro crime, pais que só dão maus exemplos para seus filhos. Pois no futuro, aquelas crianças, mesmo que inconscientemente, reproduzirão muito do que viram seus pais fazerem. E depois os pais vão querer cobrar, tardiamente, um comportamento que nunca demonstraram junto a seus filhos.

A responsabilidade dos pais é criarem seus filhos para Deus. Ele nos deu essa santa e maravilhosa incumbência, a de cuidar dos nossos filhos, que são jóias preciosas de Deus.

Por isso, sejamos exemplos vivos de bondade, de amor, de fidelidade, de caridade e de honestidade para com nossos filhos, pois dessa forma, estaremos cumprindo com a nossa santa missão de sermos verdadeiros pais.

Só para que tomemos cuidado e nos alertemos para evitar certas situações de comportamento junto aos nossos filhos, assistam a esse vídeo com toda atenção e reflitam sobre ele.

A INFLUÊNCIA DE UM PAI

Pai, você tem a plena noção da sua responsabilidade na formação do caráter e da personalidade de seu(s) filho(s)?
Não?
Então acompanhe esse pequeno vídeo.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

“TWIBLINGS”: a última novidade em procriação artificial

RIO DE JANEIRO, quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos a seguir artigo de Dom Antonio Augusto Dias Duarte, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, intitulado “‘TWIBLINGS’: a última novidade em procriação artificial”. O texto foi enviado a ZENIT pelo bispo nesta quinta-feira.

Uma novidade nem sempre corresponde a uma nova realidade dentro do plano criador de Deus. A criação é, segundo a revelação bíblica que fundamenta a fé católica, um momento de descobrimento do grande e sempre novo achado: a paternidade de Deus.

Criar é um ato amoroso, paterno e divino, pleno de sentido para o ser criado e para toda a natureza, principalmente para o ser humano e para a sociedade humana.

A verdadeira e perene novidade que assombra o mundo é a participação profunda e autêntica do homem e da mulher na paternidade de Deus. Ser pai e ser mãe transcende, eleva-se, ultrapassa todas as dimensões biológicas e técnicas da procriação artificial, e não porque faltem essas dimensões dentro do processo de transmissão da vida, mas porque a paternidade e a maternidade projetam as pessoas para a dimensão única e original do ser humano, que é a sua autêntica identidade.

Um filho tem a sua identidade pessoal formada e amadurecida quando as identidades dos seus genitores mantêm-se puras e inquestionáveis.

Recentemente a mídia internacional noticiou o nascimento de um casal de gêmeos, cujo nascimento deu-se num intervalo de cinco dias. Essas crianças nasceram de duas mães que alugaram seus úteros para a mulher que desejou ser mãe depois dos 41 anos, quando decidiu pelo casamento após uma carreira profissional cheia de sucessos.

Depois de seis tentativas de fertilização artificial com transferência de embriões concebidos para o seu próprio útero, mas que morriam prematuramente, essa mulher de sucesso concebeu uma estratégia para ter a certeza do seu êxito gestacional.

Conseguiu uma doadora de óvulos, garantiu os espermatozóides do seu marido, alugou duas barrigas para a gestação do “twiblings”, termo composto pela palavra twin (gêmeos) com a palavra sibling (irmão), e a estratégia gestacional alcançou o seu sucesso laboratorial e econômico.

A mulher que doou os seus óvulos comprou um carro zero com o dinheiro que recebeu. As locadoras do corpo para a gestação, casadas e com filhos, cujos maridos aprovaram o negócio feito através de uma agência promotora desses encontros de barrigas de aluguel, comprometeram-se a amamentar com seu leite os irmãos portadores do mesmo material genético e com a diferença temporal de nascimento.

O sucesso gestacional foi conseguido, mas várias questões não se levantaram durante toda essa negociação. Uma mãe é a educadora, outra mãe é a doadora dos óvulos, outras duas mães são as gestantes e uns homens são os espectadores dessa última novidade em matéria de procriação artificial.

Os filhos quem são em todo esse processo? Como esses irmãos gêmeos vão reagir ao serem perguntados sobre suas identidades pessoais? De quem são filhos realmente? Quais serão os impactos psicológicos decorrentes dessa busca insaciável de êxito gestacional?

Quando se perde a noção de participação no poder criador de Deus, perde-se também a noção da paternidade e da maternidade autênticas e, consequentemente, vai-se transformando a procriação numa delegação substitutiva.

Sem perder de vista a legitimidade do desejo de serem pais, e compreendendo todo o sofrimento decorrente da infertilidade, entretanto, não se pode deixar de considerar a dignidade da procriação humana.

Nela não ocorrem apenas uniões de gametas, nem sequer um processo gestacional em qualquer barriga, mas nela acontece o ato pessoal mais significativo para uma família.

O ato pessoal do casal homem-mulher que se abre certamente a um fenômeno biológico cada vez mais conhecido, também e principalmente se abre seguramente a um fenômeno humano muito mais significativo, que é o da individualização do filho e, consequentemente, o fenômeno da socialização da pessoa em e a partir da sua família.

A novidade do twiblings pode tornar-se corriqueira e não chamar mais a atenção da mídia, entretanto essa forma de ter filhos tão desejados vai introduzir na humanidade o fenômeno mais antissocial e mais confuso que se pode pensar: a despersonalização da família.

Uma família despersonalizada criará uma sociedade desestruturada, e uma sociedade desestruturada causará um mundo desequilibrado, onde os seres humanos passarão a ter os seus valores considerados a partir de êxitos ou fracassos ocorridos nos negócios onde cada pessoa será um produto de última, penúltima ou antepenúltima geração.

Será esse o mundo que Deus criou e confiou à humanidade para que descobrisse todas as maravilhas presentes nele?

Essa resposta e as demais que devem ser dadas às questões acima levantadas sobre a identidade dos bebês gerados artificialmente reclamam da sociedade atual a atitude aberta à verdade sobre o homem e a mulher como corresponsáveis com Deus pela vida humana e o amor sincero pelas crianças, criaturas que merecem muito respeito pelo direito fundamental de serem criadas através do ato mais humano e divino, que é o da doação interpessoal no matrimônio.

Por Dom Antonio Augusto Dias Duarte

Fonte: Artigo reproduzido do Site www.zenit.org

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

COM 82 ANOS DE CASADOS CASAL NOS EUA TEM O MATRIMÔNIO MAIS LONGO DO MUNDO

Novo México, 16 de fevereiro de 2011 / 09:33 am (ACI)
Marshall e Winnie Kuykendall residem em Novo México (EUA), casaram-se em 1929 e foram os ganhadores indiscutíveis de um peculiar concurso organizado pela organização pró-família Encontro Matrimonial Mundial para premiar os casais com os matrimônios mais longo.
O casal já tem 82 anos de matrimônio e recebeu o reconhecimento na festa de São Valentim, uma grande celebração nos Estados Unidos. Marshall e Winnie, de 103 e 102 anos de idade, conversaram com o grupo ACI no dia 11 de fevereiro e asseguraram que "quando nos casamos, fizemos o juramento de permanecer juntos até que a morte nos separe".
Os Kuykendalls, ambos os oriundos do estado do Arizona, casaram-se apenas cinco meses depois de conhecer-se, têm uma filha -casada há 56 anos- e dois netos.
O Encontro Matrimonial Mundial organizou uma celebração em homenagem aos Kuykendalls no hotel Hampton Inn de sua cidade natal, Lordsburg, realizada em 12 de fevereiro.
Os organizadores felicitaram o casal que resultou ganhador da ampla busca a nível nacional na qual participaram 300 candidatos de todos os estados norte-americanos.
Marshall e Winnie também chegaram à Câmara de Representantes dos EUA em Washington DC, onde receberam presentes, um certificado e uma placa de reconhecimento do "matrimônio mais longo". Também foram honrados pelo governador, os funcionários legislativos estatais e o prefeito do Lordsburg.
Entre os participantes do concurso estavam 100 casais com mais de 70 anos de casados e 155 matrimônios entre 60 e 69 anos de união matrimonial.
Dick e Dianne Baumbach, organizadores do Encontro Matrimonial e dirigentes do concurso, explicaram ao grupo ACI em novembro de 2010 que o concurso procura "dar aos casais jovens a esperança de seu próprio matrimônio".
O Encontro Matrimonial está presente em mais de 90 países, é o movimento maior a favor do matrimônio.
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Comentário do Blog:
Essa é o tipo de notícia que deveria ser divulgada em toda mídia impressa, falada, televisionada, etc, pois é um grande testemunho de que existem diversos casais e famílias pelo mundo a fora que conseguem viver bem, unidos e para sempre, como os Kuykendalls mesmo falaram: "quando nos casamos, fizemos o juramento de permanecer juntos até que a morte nos separe".
Infelizmente o que mais se mostra hoje em dia, são famílias destruídas, casais separados, crianças e jovens esquecidos pelos pais.
Mas, como podemos ver acima, nem tudo está perdido. Os Kuykendalls nos dão um grande exemplo de que é possível ser feliz e por toda a vida.

Fonte: Site da acidigital

POR QUE USAMOS A ALIANÇA DE CASAMENTO NO QUARTO DEDO?

Os chineses têm uma explicação interessante para essa pergunta, que pode servir como reflexão para os casais que estejam em crise. Afinal de contas os chineses, com muita luta e vencendo inúmeras dificuldades, estão conseguindo se desenvolver em diversos aspectos e estão se tornando uma potência mundial. E estão nos dando um boa resposta no caso das alianças, que pode e deve ser seguida por nós.
Vejamos:

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

CRESCE PROCURA POR FORMAÇÃO PARA MATRIMÔNIO ENTRE OS JOVENS CASAIS CATÓLICOS NA IRLANDA

Casais irlandeses jovens estão procurando cada vez mais o Serviço Católico de Atendimento ao Matrimônio (Catholic Marriage Care Service-Accord), a agência de voluntariado católico da Igreja na Irlanda que oferece apoio e mediação a cônjuges e famílias.
Nas primeiras 6 semanas de 2011, 6% a mais de casais jovens procuraram cursos de preparação ao matrimônio em relação a 2010. O dado foi divulgado no momento em que se incrementam os serviços interativos do site da agência, que recebe também inscrições para os cursos.
Os novos subsídios promoverão a compreensão mais profunda do matrimônio cristão e oferecerão informações práticas sobre como organizar o evento.
Além da rede Internet, a Accord divulga, em suas 60 sedes no país, sugestões para ajudar os jovens casais a valorizar seus sentimentos de amor e fidelidade. “As razões para se casar – explicam – são sempre as mesmas: amor, apoio recíproco e vontade de criar uma família”.
Além do suporte pré-matrimonial aos jovens, a agência Accord ajuda casais já formados, com problemas. Este tipo de apoio aumentou 11% em 2009. Naquele mesmo ano, foram assinados 40 mil contratos de consultoria.
Não obstante todas as dificuldades, uma pesquisa realizada pela agência aponta nitidamente a preferência pelo matrimônio tradicional: 75% dos cerca de 20 mil casamentos na Irlanda em um ano são celebrados com o rito católico.

Fonte: Reproduzido do Site da Comunidade Shalom - Blog Carmadélio

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A FELICIDADE MORA NO LAR

A maior tragédia do mundo moderno é a destruição da família.
"Os momentos mais felizes da minha vida foram aqueles, poucos, que pude passar em minha casa, no seio de minha família" (Tomas Jefferson, ex-presidente dos Estados Unidos da América).

A maior alegria é colhida na família, a cada dia. A realidade que mais nos aproxima da ideia do paraíso é o nosso lar. Um homem não pode deixar ao mundo uma herança melhor do que uma família bem criada.
Alguém disse que o mundo oferece aos homens e aos pássaros mil lugares para pousar, mas apenas um ninho. Um homem que não for feliz no lar, dificilmente o será em outro lugar.
Até quando nos deixaremos enganar querendo ir buscar a felicidade tão longe, se ela está bem junto de nós? A família é o complemento de nós mesmos. Ela é a base da sociedade. Nela somos indivíduos reconhecidos e amados e não apenas um número, um RG, um CPF.
É no seio da família que cada pessoa faz a experiência própria do que seja amar e ser amado; sem o que jamais será feliz. Quando a família se destrói, a sociedade toda corre sério risco; é por isso que temos hoje tantos jovens delinquentes envolvidos nas drogas, na bebida e na violência. Muitos estão no mundo do crime porque não tiveram um lar.
Sem dúvida, a maior tragédia do mundo moderno é a destruição da família. As separações arrasam os casamentos e, consequentemente as famílias. Os filhos pagam o preço da separação dos pais; e eles mesmos sofrem com isso. Quando as famílias eram bem constituídas não eram tantos os jovens envolvidos com drogas, com a violência e com a depressão.
Mais do que nunca o mundo precisa de homens e mulheres dispostos a constituir famílias sólidas, edificadas pelo matrimônio, nas quais os esposos vivam a fidelidade conjugal e se dediquem de corpo e alma ao bem dos filhos. E é isso que dá felicidade ao homem e à mulher.
Infelizmente, uma mentalidade consumista, egoísta e comodista toma conta do mundo e das pessoas cada vez mais, impedindo-as de terem filhos e famílias sólidas.
A felicidade do lar está também no relacionamento saudável, fiel e amoroso dos esposos. Sem fidelidade conjugal a família não se sustenta. Essa fidelidade tem um alto preço de renúncia às tentações do mundo, mas produz a verdadeira felicidade. Marido e mulher precisam se amar de verdade e viver um para o outro, totalmente, sem se darem ao direito da menor aventura fora do lar. Isso seria traição ao outro, aos filhos e a Deus.
A felicidade tem um preço; e na família temos de pagar o preço da renúncia ao que é proibido. Não se permita a menor intimidade com outra pessoa que não seja o seu esposo ou sua esposa. Não brinque com fogo!
A grande ameaça à família hoje é a infidelidade conjugal; muitos maridos, e também esposas, traem os seus cônjuges e trazem para dentro do lar a infelicidade própria e a dos filhos. Saiba que isso não compensa jamais; não destrua em pouco tempo aquilo que foi construído em anos de luta. Se você destruir a sua família estará destruindo a sua felicidade.
Marido e mulher precisam viver um para o outro e ambos para os filhos. A felicidade do casal pode ser muito grande, mas isso depende de que ambos vivam a promessa do amor conjugal. Amar é construir o outro; é ajudá-lo a crescer; é ajudá-lo a vencer os seus problemas. Amar é construir alguém querido com o preço da própria renúncia. Quem não está disposto a esse sacrifício nunca saberá o que é a felicidade de um lar.
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Por professor Felipe Aquino (Canção Nova)

sábado, 22 de janeiro de 2011

FAMÍLIA ATUAL, UMA MUTAÇÃO ANTROPOLÓGICA ?

Em poucas décadas, sob o efeito de diversos fatores convergentes, tais como a revolução sexual, a difusão da cultura de massa e a influência dos meios de comunicação social, as possibilidades oferecidas pela manipulação genética, as mudanças na organização da produção, com o advento da informatização e a automação dos processos produtivos e com a prevalência no mercado do capital especulativo “volátil”, de alta rentabilidade, configurou-se um cenário cultural e social no qual floresce uma imagem de homem e de mulher radicalmente diferentes dos anteriores. Alguns autores falam de uma “mutação antropológica” (Scola, 1999, p.316), isto é, de uma visão alternativa e global do homem e de todos os aspectos mais profundos da sua existência.

A mudança que atinge a maneira de compreender o ser humano constitui um processo complexo, do qual são indicadas algumas etapas mais significativas. Começa a prevalecer um dualismo antropológico que separa como mundos distintos o corpo e o espírito. O corpo passa a ser considerado como um material bruto, sem significado pessoal intrínseco e dominado pelo determinismo das leis biológicas e psicológicas. O espírito, representando o mundo da liberdade, da busca da paz interior, da integração cósmica e da elevação mística, estaria justaposto ao corpo, seguindo suas próprias exigências. A mudança mais relevante se verifica no campo da sexualidade que, na nova perspectiva, pode ser vivida sem a abertura à procriação. Este fato retira da sexualidade a característica de ser premissa para constituir uma relação de responsabilidade recíproca, que dure no tempo, capaz de acolher e educar a eventual prole. O exercício da sexualidade perde a exigência de um vínculo estável, em vista de um projeto comum de vida, enquanto conserva o caráter de fonte de prazer. O aspecto lúdico, sempre presente na expressão da sexualidade, acaba por ser a única dimensão que define seu valor, eliminando qualquer responsabilidade da pessoa com o parceiro dos jogos sexuais.

Nesse quadro, o matrimônio e a família perdem significado. Diversas agências da ONU tornaram-se caixas de ressonância dessa mentalidade e, nas Conferências de Cairo e de Pequim, defenderam novos direitos, mais condizentes com a emergente imagem de homem e de mulher, de sexualidade e de maternidade. Os “novos direitos”, no entanto, que são defendidos como sinal de uma maior liberdade (ao aborto, à eutanásia, etc.), constituem na realidade a mais sutil submissão à lógica do mercado, que coloniza todos os espaços da vida, difundindo seus critérios contábeis, de cálculo, de conveniência, do intercâmbio de equivalentes, emergindo como critério fundamental para a tomada das decisões a avaliação de custos e de benefícios (PETRINI, 2000).

A divergência da antropologia, até então aceita, pode ser percebida pelo relatório de Monsenhor Renato Martino, observador do Vaticano junto à ONU: “O princípio de que a sexualidade é inerente à relação conjugal foi tratado nas Conferências do Cairo e de Pequim como uma inútil relíquia do passado. [...] Também a sacralidade da vida foi posta em ridículo e ofendida” (MARTINO, 1997, p.76).

A procriação também pode ser realizada sem o concurso da união sexual sendo, assim, assemelhada à produção de uma mercadoria. Com efeito, a fecundação pode ser obtida através de técnicas de laboratório, não sendo mais necessária a relação sexual. Com o desenvolvimento da clonagem, não será necessário nem mesmo o concurso de um elemento masculino e um feminino. A procriação pode acontecer fora do ambiente da intimidade sexual entre um homem e uma mulher, vivida como expressão do amor, assumindo todas as características de uma produção industrial.

A vida humana não mais é compreendida como relação com o Infinito e por isso inviolável, inegociável. A vida e a morte passam a ser negociadas politicamente e submetidas à aprovação da maioria ou ao arbítrio do indivíduo. A vida humana que começa e a que termina, dentro dessa visão, podem ser suprimidas, sempre que os interesses em jogo assim o preferirem. O embrião não passa de aglomerado de células, podendo ser submetido a qualquer tipo de manipulação. O corpo reduz-se a instrumento de trabalho e de lazer, perdendo outras dimensões.

Diante desse novo cenário desenhado pela cultura pós-moderna, o Papa manifestou muitas vezes sua preocupação, convidando cristãos e “homens de boa vontade” a retomar o desígnio de Deus sobre a pessoa, o matrimônio e a família, para participar do debate em curso, tendo como ponto de partida a visão cristã do ser humano na sua versão mais original. No “Evangelium Vitae” n. 28, ele afirma:

Encontramo-nos diante de uma batalha gigantesca e dramática entre [...] a morte e a vida, entre a cultura da morte e a cultura da vida. Encontramo-nos não apenas “diante”, mas necessariamente no meio desse conflito: todos estamos envolvidos e tomamos parte nele, com ineludível responsabilidade para decidir incondicionalmente em favor da vida (JOÃO PAULO II, 1995, p.57).

O desígnio de Deus sobre a pessoa, o matrimônio e a família

O Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família vem trabalhando, há mais de vinte anos, para compreender essas mudanças e para elaborar uma antropologia adequada às exigências humanas originárias, tendo em vista o diálogo com quantos estão atentos à evolução sociocultural. De modo sucinto, são indicados, a seguir, alguns dos temas mais significativos que vão construindo essa nova perspectiva de reflexão (A BÍBLIA de Jerusalém, 1981, p.34).

O objetivo principal é elucidar o desígnio de Deus sobre a pessoa, o matrimônio e a família, tomando como ponto de partida a narrativa da criação, do livro do Gênesis. Esse relato, de um lado, valoriza a relação do ser humano com o Criador, do qual é imagem e semelhança e, de outro, valoriza a diferença sexual como originária, pois “homem e mulher o criou”(Gn 1, 27). Estão assim articuladas e integradas a dimensão espiritual e a corporal do ser humano, que se afirma como uma união indissolúvel de corpo e de alma (corpore et anima unus). A inquietação relacionada ao desejo de infinito e a busca da felicidade que caracterizam o ser humano de todas as épocas, como a poesia e a arte documentam amplamente, podem ser levadas a sério, abrindo o espaço para a transcendência.

Nesse quadro de referência ao corpo (e à diferença sexual que o caracteriza) é atribuído um significado simbólico, com valor de sinal e expressão da pessoa. Esta é reconhecida como um ser consciente, racional e livre, que traz em si uma vocação originária ao amor, fundamento da dimensão social do ser humano. Com efeito, só na companhia de seus semelhantes ela encontra as condições necessárias para o seu desenvolvimento e para a sua realização, a começar pelo matrimônio e pela família. A pessoa, assim compreendida, é sujeito de uma dignidade absoluta, que não depende de nenhuma qualificação e possui direitos inalienáveis e deveres morais que a colocam como razão de ser de todas as instituições sociais, políticas e econômicas. É apenas o caso de lembrar que é impossível construir a realidade social como ordem, na liberdade e na justiça, quando esses direitos inalienáveis são conduzidos no horizonte do mercado, negociados de acordo com interesses de grupos.

Os estudos teológicos do Instituto estabelecem um nexo entre a revelação divina e a experiência humana que contribui para a renovação de um horizonte metafísico de tipo existencial. Abre-se, dessa maneira, a possibilidade de percorrer um itinerário, antes impraticável, para falar da pessoa, da sua liberdade, da comunhão interpessoal, em analogia com as relações intratrinitárias e do amor esponsal como dom de si no corpo, à imitação de Jesus Cristo que se doou no corpo para a vida do ser humano.

a) Homem e mulher - A diferença sexual introduz o ser humano na consciência de uma deficiência e de uma solidão originárias, na evidência de uma fragilidade radical que poderia desembocar na extinção da própria espécie. Estes limites o impelem à busca e ao conhecimento do outro de si, do diferente, para o qual sente-se atraído e junto do qual pode enfrentar positivamente seus limites. A consciência de si, da própria identidade, nasce do encontro com o outro, que se realiza através do corpo, sexualmente diferenciado. A autoconsciência nasce da reflexão sobre a experiência que pessoalmente cada ser humano faz de si e dos relacionamentos que estabelece com toda a realidade e com o outro sexo. Deficiência, solidão e fragilidade são insuperáveis sem o concurso do outro, que começa a ser percebido como possibilidade de resposta, de solução ao próprio drama. Nesta perspectiva, a sexualidade emerge como condição, como fator fundamental da própria identidade de ser humano.

O ser humano não pode existir sozinho, mas somente como unidade de dois e, portanto, em relação com uma outra pessoa. A diferença homem-mulher é compreendida, então, como a expressão de uma originária unidade dual que implica e valoriza simultaneamente a identidade e a diferença. A mesma dignidade e os mesmos direitos qualificam a identidade do ser humano que aparece na história sempre e somente como homem e mulher, mesmo quando essas categorias parecem culturalmente confusas.

Para compreender o significado da sexualidade humana é necessário, antes de mais nada, deixar falar o dado, ao mesmo tempo fenomenológico e ontológico, que nenhum homem (ou nenhuma mulher) pode ser por si só todo o ser humano: ele tem sempre diante de si a outra maneira de ser, a ele inacessível. Uma alteridade que é diferença distingue o homem a causa de sua natureza sexuada. Também sob este aspecto, manifesta-se inevitavelmente sua contingência (SCOLA 2002, p.32).

A diferença sexual é originária, constitutiva do ser humano, essencial à sobrevivência da espécie, inscrita em cada cromossomo. Ela foi elaborada culturalmente ao longo das gerações, quase sempre em função do jogo de poder entre os sexos. As imagens e os modelos de comportamento masculino e feminino, fruto de circunstâncias históricas determinadas, podem ser colocados em discussão, como de fato está acontecendo, em busca de uma maior correspondência com as exigências de igualdade e de participação. As relações entre os sexos constituem, neste sentido, um interessante entrelaçamento de natureza e cultura.

b) Antropologia dramática - Esta compreensão do ser humano na sua corporeidade sexuada situa-se no horizonte da antropologia dramática. Afirma Von Balthassar, (1992, p.317): “[...] não existe outra antropologia a não ser aquela dramática”. O drama nasce do fato de que o ser humano se move na cena do mundo sobre a qual deve representar a sua parte. Todavia ele compreende que deriva de um primeiro ato não escrito por ele e do qual não participou e se move em direção ao último ato, do qual não conhece o script, não sabendo como terminará. Quando reflete sobre si mesmo, o sujeito individual encontra-se já em ação na cena do grande teatro do mundo. Ele não escolheu começar a existir, no entanto, encontra-se na situação de ter que escolher para edificar uma existência que busca inevitavelmente a sua realização. Como a linha do horizonte, a realização da própria humanidade parece afastar-se quanto mais procura aproximar-se dela (SCOLA, MARENGO e LÓPES, 2000, p.59-60). Move-se na cena do mundo, devendo escolher entre uma ampla gama de possibilidades. “Talvez não há outro ser vivente a tal ponto dilacerado entre alternativas” (STEINBECK apud BALTHASSAR, 1992, p.320). “[...] não pode sair do curso da ação dramática na qual se encontra desde o nascimento, não pode sair para finalmente ponderar sobre o que jogar. Ele já está no jogo sem que alguém jamais tenha perguntado a ele se quer jogar; já recita de fato uma parte, mas qual?” (BALTHASSAR, 1992, p.323).

A unidade dual de homem-mulher, alma-corpo, indivíduo-comunidade, está na origem do drama humano, com efeito, subtrai a pessoa ao determinismo biológico e chama em causa a sua liberdade como último ponto de definição da autoconsciência. A filosofia e a literatura documentam este drama, expresso com diversidade de acentos ao longo dos séculos. Na cultura pós-moderna, no entanto, assume especial importância o esforço para negar o drama, procurando eliminar as perguntas que o alimentam. (BALTHASSAR, 1992, p.335-370).

c) O Mistério nupcial - Mistério nupcial é um dos conceitos mais importantes elaborado pelos teólogos da sede central do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família. Retomando uma antiqüissima tradição, já do Antigo Testamento, o conceito indica não somente a relação nupcial entre um homem e uma mulher, mas, por analogia, a Aliança entre Deus e o povo eleito. Por mistério nupcial, entende-se:

[...] de um lado a unidade orgânica de diferença sexual, amor (relação objetiva com o outro) e fecundidade, de outro, refere-se objetivamente, em virtude do princípio da analogia, às diversas formas do amor, que caracterizam quer o homem-mulher com todos os seus derivados (paternidade, maternidade, fraternidade, sororidade, etc.), quer a relação de Deus com o homem no sacramento, na Igreja, em Jesus Cristo, para chegar até a Trindade mesma (SCOLA, 1998/2000).

Deixando a outros a tarefa de desenvolver os aspectos especificamente teológicos, pode-se compreender o coração da nupcialidade, como a unidade de amor, sexualidade e procriação. Aqui está a originalidade do conceito, que apreende sinteticamente aspectos antropológicos fundamentais, resgatando a unidade que, desde os primórdios da história até poucas décadas atrás, constituiu o eixo da relação homem-mulher, ao redor do qual organizaram-se o matrimônio e a família e, como conseqüência, relações de cooperação e de solidariedade entre os sexos e entre as gerações. Na diversidade das formas que estas realidades assumiram e no meio de contradições que se verificaram, a nupcialidade sempre permaneceu como o núcleo central ao qual se deve atribuir a origem de dinâmicas sociais que desenharam as diversas civilizações.

Na sua acepção mais simples, nupcialidade indica uma relação entre um homem e uma mulher caracterizada por uma certa qualidade. Refere-se à elaboração de um projeto de vida comum que contém, em seu horizonte, a possibilidade de procriar filhos, de acolhê-los e educá-los. A simpatia e a atração entre um homem e uma mulher, que encontram na relação sexual a expressão mais plena, se orientam para a partilha estável da globalidade da existência, a ponto de constituir um casal socialmente reconhecido, caracterizado pela comunhão de habitação, de tarefas, de recursos, em vista da edificação de uma realidade comum, que encontra no matrimônio e na família a sua plena realização. Viver a paternidade e a maternidade no horizonte da nupcialidade, aceitando o empenho de educar a prole, produz mudanças relevantes não apenas na identidade das pessoas envolvidas e nas responsabilidades assumidas, com alterações significativas na organização quotidiana da existência, mas também na sociedade. A rede de relações familiares assim constituída cria espaços de gratuidade e de solidariedade entre os sexos e entre as gerações. E no tecido fino destas relações são transmitidos e consolidados valores, critérios de juízo, crenças, ideais, atitudes, que tornam a vida em sociedade mais ou menos civilizada.

O conceito de nupcialidade indica não apenas um certo tipo de relação homem-mulher, caracterizado pelo envolvimento e pelo dom recíproco de si, pela atenção ao destino do outro mais que ao próprio interesse. Indica também uma postura diante de toda a realidade, uma atitude humana carregada de afeição, atenta para aceitar e valorizar a alteridade, a diferença. Nasce, assim, um modo de relacionar-se com as pessoas, com a natureza e com o mundo dos objetos, compreendendo cada realidade no horizonte de totalidade da qual recebe significado. A nupcialidade sugere um olhar positivo sobre a realidade, capaz de reconhecer a finalidade do objeto, por exemplo, de um rio, de um bosque, de um animal, para além do interesse imediato que mede a sua utilidade. São Francisco de Assis, no seu Cântico das Criaturas, dirige um olhar nupcial sobre todas as criaturas, até mesmo sobre a realidade da morte, desejoso de admirar, acolher, respeitar. No pólo oposto à nupcialidade, situa-se a relação ocasional entre o homem e a mulher, no exercício de uma sexualidade que reduz ao mínimo os vínculos inerentes ao relacionamento. A cultura atual valoriza modelos de relacionamentos caracterizados pela parcialidade, que se limitam a aspectos particulares e envolvem interesses determinados, para um tempo limitado, em vista da maior utilidade.

Na cultura contemporânea, não será um conjunto de circunstâncias biológicas, técnicas e culturais que poderão induzir as pessoas a viver a sexualidade no horizonte do amor nupcial, como pode ter acontecido no passado. A nupcialidade, entendida como união de amor, sexualidade e procriação, poderá ser vivida somente como conseqüência de uma livre decisão, que nasce da compreensão da sua importância para a própria realização.

Por Dom João Carlos Petrini
Bispo Auxiliar de Salvador
Diretor do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

FAMÍLIA, FONTE DE SANTIDADE

Deus nos criou para vivermos em família, como Ele mesmo é uma Família, Três Pessoas distintas em uma única natureza. Quando o Catecismo fala da família, começa dizendo que: Jesus, ao vir ao mundo, não precisava necessariamente viver em uma família, mas Ele assim o quis, para deixar-nos o seu exemplo e ensinamento sobre a nobreza e santidade da família. Quis ter uma mãe e um pai (adotivo), e foi obediente e submisso a eles (cf Lc 2,51). Jesus não precisava ter um pai terreno, já que o Seu Pai é o próprio Deus. Mas Ele quis ter um pai adotivo, legal, como chamavam os judeus. Quando José quis abandonar Maria, em silêncio, para não difamá-la, Deus mandou o Anjo dizer-lhe: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois, o que nela foi concebido veio do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho a quem tu porás o nome de Jesus” (Mt 1,20-21). É como se Deus dissesse a José: eu preciso de você, eu quero você para ser o pai diligente da sagrada Família. Os pais geram os filhos, mais aqui é o Filho quem escolhe o seu pai.

A Família de Nazaré nos dá uma lição de vida familiar. Como disse Paulo VI: “Que Nazaré nos ensine o que é família, sua comunhão de amor, sua beleza austera e simples, seu cárater sagrado e inviolável… Uma lição de trabalho…” (05/01/64). A família é uma escola de virtude e de santidade para todos. Vivendo na família de Nazaré, Jesus nos ensinou a importância da submissão e obediência dos filhos aos pais. Ele, mesmo sendo Deus, se fez obediente àqueles que Ele mesmo criou e escolheu para seus pais. Cumpriu em tudo o quarto mandamento que manda “honrar” os pais. Mais do que ninguém obedeceu à Palavra de Deus que diz:
“Quem honra sua mãe é semelhante àquele que acumula um tesouro”. “Quem teme o Senhor honra pai e mãe” (Eclo 3).

É porque a família é hoje tão ofendida pelas pragas da imoralidade, que a sociedade paga um alto preço social: jovens deliquentes, crianças abandonadas, pais separados, homens e mulheres frustrados, tanta violência, tanto crime, tanta morte…

Essas pobres crianças e jovens desorientados, que vivem pelas ruas, perdendo-se nas drogas, no crime, na violência, na homossexualidade e nas bebidas, etc., apenas estão buscando com isso um pouco de calor humano, afeto, que deveriam ter recebido em suas famílias, e não receberam.

O Catecismo diz que a família “é a sociedade natural onde o homem e a mulher são chamados ao dom de si no amor e no dom da vida. A família é a comunidade na qual, desde a infância, se podem assimilar os valores morais, em que se pode começar a honrar a Deus e a usar corretamente a liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade” (nº 2207).

“É no seio da família que os pais são para os filhos, pela palavra e pelo exemplo… os primeiros mestres da fé”, ensina a Igreja (LG, 11). “É na família que se exerce de modo privilegiado o sacerdócio batismal do pai de família, da mãe, dos filhos, de todos os membros da família, na recepção dos sacramentos, na oração e na ação de graças, no testemunho de uma vida santa, na abnegação e na caridade ativa. O lar é assim a primeira escola de vida cristã e uma escola de enriquecimento humano. É ai que se aprende a fadiga e a alegria do trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e mesmo reiterado, e sobretudo o culto divino pela oração e oferenda de sua vida” (Cat. § 1657).

Essas palavras do Catecismo mostram que o lar é a escola das virtudes humanas; logo, lugar de santificação. Para os pais, a vida conjugal é uma oportunidade riquíssima de santificação, na medida em que, a todo instante, precisam lutar contra o próprio egoísmo, soberba, orgulho, desejo de dominação, etc., para se tornar, com o outro, aquilo que é o sentido do matrimônio: “uma só carne”, uma só vida, sem divisões, mentiras, fingimentos, tapeações, birras, azedumes, mau-humor, reclamações, lamúrias, etc.

A luta diária e constante para ser “exemplo para os filhos”, para manter a fidelidade ao outro, para “vencer-se a si mesmo”, a fim de se construir um lar maduro e santo, faz com que caminhemos para a na nossa santificação. O amor do casal é o sinal e o símbolo do amor de Deus à humanidade, e amor de Cristo à Igreja (cf. Ef 5,21s). Ao se por a caminho para conquistar “esse amor”, o casal se santifica.

A busca da unidade profunda como a do “café com o leite”, o desafio de “construir o outro”, alguém querido, a solução conjunta de todos os problemas, o diálogo frequente e amoroso, o respeito mútuo, enfim, a busca da maturidade essencial para a vida a dois, tudo isso santifica o casal. Além do mais, o conhecimento profundo do “mistério do outro”, a luta para aceitá-lo e entendê-lo, para ajudá-lo a crescer, a paciência, o perdão dado, as renúncias de cada dia, a atenção com o outro para vencer a frieza e a monotonia, o cuidado do lar, da roupa, da comida, do estudo dos filhos, etc., tudo isso concorre para que os pais se santifiquem mutuamente. Deus quis assim, e fez do casamento uma grande escola de santidade. O casal que quiser atingir a perfeição matrimonial, como é o desígnio de Deus, naturalmente chegará à santidade. A casa é para o casal e os filhos, o que o mosteiro é para o monge.

A luta que travamos conosco mesmo para aceitar e suportar os defeitos do outro, a cada dia, com paciência e compreensão, faz-nos santos. As cruzes do lar, o desemprego, as doenças, as dúvidas, os vícios do cônjuge, a dificuldade com os parentes, a preocupação com os problemas dos filhos, etc., tudo isso, torna-se no casamento como que o “fogo” que queima as ervas daninhas de nossa alma e nos encaminha para a perfeição cristã.

É preciso saber aproveitar toda e qualquer dificuldade do lar para fazer dela um degrau de crescimento na fé e no amor a Deus, pois “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rom 8,28).

Por outro lado, a enorme tarefa que Deus confia aos pais, na geração e na educação dos filhos, o exercício dessa missão sagrada coopera para a santificação deles. O Catecismo diz que:

“O papel dos pais na educação dos filhos é tão importante que é quase impossível substituí-los”. E que:“O direito e o dever de educação são primordiais e inalienáveis para os pais” (nº 2221; FC 36). Para cumprir com responsabilidade essa sagrada missão, os pais devem criar um lar tranquilo para os filhos, onde se cultive a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado. Aí deve ser cultivado a abnegação, o reto juízo, o domínio de si, para que haja verdadeira liberdade.

Diz o livro do Eclesiástico: “Aquele que ama o filho castiga-o com frequência; aquele que educa o seu fiho terá motivo de satisfação” (Eclo 30, 1-2). Esse “castiga-o com frequência” deve ser entendido como “corrige-o com frequência”. Mas São Paulo lembra que os pais não podem humilhar e magoar os filhos ao corrigí-los: “E vós, pais, não deis a vossos filhos motivo de revolta contra vós, mas criai-os na disciplina e na correção do Senhor” (Ef 6,4).

É claro que esse equilíbrio e dedicação que é exigido dos pais para educar bem os filhos, é motivo também de crescimento para os próprios pais. E é bom lembrar aos pais que saber reconhecer diante dos filhos, os próprios defeitos, não é humilhação e sim coerência, e isto facilita guiá-los e corrigi-los, como ensina o próprio Catecismo (nº 2223).

“Os filhos, diz o Catecismo, por sua vez, contribuem para o crescimento de seus pais em santidade. Todos e cada um se darão generosamente e sem se cansarem o perdão mútuo exigido pelas ofensas, as rixas, as injustiças e os abandonos. Sugere-o a mútua afeição. Exige-o a caridade de Cristo” (§ 2227; Mt 18,21-22).

Para os filhos, o dever de honrar os pais, estabelece um verdadeiro programa de santificação. Lembra a Palavra de Deus aos filhos: “Honra teu pai de todo o coração e não esqueças as dores de tua mãe. Lembra-te que fostes gerado por eles. O que lhes darás pelo que te deram? (Eclo 7,27-28).

Um filho sábio escuta a disciplina do pai e o zombador não escuta a reprimenda” (Pr 13,1). “Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, pois isso é agradável ao Senhor” (Cl 3,20; Ef 6,1).

“Aquele que respeita o pai obtém o perdão dos pecados, o que honra a sua mãe é como quem ajunta um tesouro. Aquele que respeita o pai encontrará alegria nos filhos e no dia de sua oração será atendido” (Eclo 3,2-6). “Honra teu pai por teus atos, tuas palavras, tua paciência, a fim de que ele te dê a sua benção, e que esta permaneça em ti até o último dia da tua vida.”

A benção paterna fortalece a casa de seus filhos; a maldição de uma mãe a arrasa até os alicerces” (9-11). Um filho abençoado pelos pais é um filho abençoado pelo próprio Deus, porque “a paternidade humana tem a sua fonte na paternidade divina” (CIC nº 2214). Vemos assim que Deus estabeleceu a família como o meio privilegiado para a nossa salvação e santificação, tanto dos pais quanto dos filhos.

Artigo publicado pelo professor Felipe Aquino em 27 de outubro de 2010, no Blog: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/category/familia/

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

NENHUM SUCESSO NA VIDA COMPENSA UM FRACASSO NO LAR

Há vinte anos presenciei uma cena que modificou radicalmente minha vida. Foi num almoço com um empresário respeitado e bem mais velho que eu. Ele era um dos poucos engajados no social, embora fosse pessoalmente um workaholic.
O encontro foi na própria empresa, ele não tinha tempo para almoçar com a família em casa nem com os amigos num restaurante. Os amigos tinham de ir até ele.
Seus olhos estavam estranhos, achei até que vi uma lágrima no olho esquerdo. Bobagem minha pensei, homens não choram, especialmente na frente de outros.
Mas durante a sobremesa ele começou a chorar copiosamente. Fiquei imaginando o que eu poderia ter dito de errado. Supus que ele tivesse lembrado dos impostos pagos no dia, impostos que ele sabia que nunca seriam usados para o social.
"Minha filha vai se casar amanhã", disse sem jeito, "e só agora a ficha caiu. Eu fui um tremendo de um workaholic e agora percebo que mal a conheci. Conheço tudo sobre meu negócio, mal conheço minha própria filha. Dediquei todo o tempo a minha empresa e me esqueci de me dedicar à família."
Voltei para casa arrasado. Por meses eu me lembrava dessa cena patética e sonhava com ela. Prometi a mim mesmo e a minha esposa que nunca aceitaria seguir uma carreira assim.
Colocar a família em primeiro lugar não é uma proposição ética tão óbvia, trivial, nem tão aceita por aí. Basta entrar na internet e você encontrará milhares de artigos que lhe dirão para colocar em primeiro lugar os outros - a sociedade, os amigos, o dever, o trabalho, o cliente, raramente a família.
Normalmente, a grande discussão é como conciliar o conflito entre trabalho e família, e a saída salomônica é afirmar que dá para fazer ambos. Será?
O cinema americano vive mostrando o clichê do executivo atarefado que não consegue chegar a tempo à peça de teatro da filha ou ao campeonato mirim de seu filho. Ele se atrasou justamente porque tentou "conciliar" trabalho e família. Só que surgiu um imprevisto de última hora, e a cena termina com o pai contando uma mentira ou dando uma desculpa esfarrapada.
Se tivesse colocado a família em primeiro lugar, esse executivo teria chegado a tempo, teria levado pessoalmente a criança ao evento, teria dado a ela o suporte psicológico necessário nos momentos de angústia que antecedem um teatro ou um jogo.
A questão é justamente essa. Se você, como eu e a grande maioria das pessoas, tem de "conciliar" família com amigos, trabalho, carreira ou política, é imprescindível determinar, muito antes das inevitáveis crises, quem você prioriza e coloca em primeiro lugar. Você não terá de tomar difíceis decisões de lealdade na última hora, pois a opção já terá sido previamente discutida e emocionalmente internalizada.
Na época pensava deixar de ser professor da USP, apesar do ambiente tranqüilo e dos três meses de férias que a carreira proporcionava. Mas aquele almoço me fez ficar, para desespero de meus alunos.
Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos podem arcar. Implica menos dinheiro, fama e projeção social. Muitos de seus amigos poderão ficar ricos, mais famosos que você e um dia olhá-lo com desdém. Nessas horas, o consolo é lembrar um velho ditado que define bem por que priorizar a família vale a pena: "Nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar".
Qual o verdadeiro "sucesso" de ter um filho drogado por falta de atenção, carinho e tempo para ouvi-lo no dia a dia? De que adianta fazer uma fortuna para ter de dividi-la pela metade num ruinoso divórcio e pagar pensão à ex-esposa para o resto da vida? De que adianta ser um executivo bem-sucedido e depois chorar na sobremesa porque não conheceu sequer a própria filha?

Os leitores que ficaram indignados porque não tiro férias podem ficar tranqüilos. Eu só não tiro férias aqui da Veja, como a maioria dos colunistas.
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Por Stephen Kanitz
Stephen Kanitz é administrador.
Artigo Publicado na Revista Veja, edição 1739, ano 35, nº 7, 20 de fevereiro de 2002, página 26.
Fonte: www.kanitz.com.br 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A FAMÍLIA: FORMADORA DOS VALORES HUMANOS E CRISTÃOS

Um dos principais desafios que a família cristã enfrenta é o de formar a consciência moral dos filhos, numa época na qual os valores morais vão sendo diluídos. Isto torna muito mais importante do que nunca que os filhos sejam educados no amor à verdade objetiva - baseada na natureza humana e na lei revelada -, à justiça, à caridade e à pureza de corpo e de alma.
Dificilmente os mais jovens saberão resistir à onda hedonista e relativista sem o aprendizado em família, o exemplo e o apoio dos pais. Urge, portanto, recolocar a família em seu devido contexto, como lugar principal e privilegiado de formação e educação, transmissora das virtudes e valores.
A Exortação Apostólica Familiaris Consortio faz referência ao ensinamento de São Tomás de Aquino, para ressaltar a alta missão dos pais a esse propósito. "O dever educativo recebe do sacramento do matrimônio a dignidade e a vocação de ser um verdadeiro e próprio ‘ministério' da Igreja a serviço da edificação dos seus membros. Tal é a grandeza e o esplendor do ministério educativo dos pais cristãos, que São Tomás não hesita em compará-lo ao ministério dos sacerdotes: ‘Alguns propagam e conservam a vida espiritual com um ministério unicamente espiritual: é a tarefa do Sacramento da ordem; outros fazem-no quanto à vida corporal e espiritual o que se realiza com o Sacramento do matrimônio, que une o homem e a mulher para que tenham descendência e a eduquem para o culto de Deus'". [1]
É no lar, e somente ali, que se podem desenvolver "alguns valores fundamentais que são imprescindíveis para formar cidadãos livres, honestos e responsáveis, por exemplo, a verdade, a justiça, a solidariedade, a ajuda ao débil, o amor aos outros por si mesmos, a tolerância, etc."
De pouco adiantará os governos se preocuparem em desenvolver o ensino, dotarem as escolas de equipamentos sofisticados e caros e investir na formação de professores, sem antes procurar fortalecer a instituição da família. Difícil será, sem a ajuda dela, combater a criminalidade, a corrupção e tantas outras mazelas.
A superação de todos os problemas da sociedade moderna - seja no nível psicológico, seja no social ou político - está condicionada, como vimos, à revitalização da sua célula básica: a família.
Porém, todos os esforços e as iniciativas humanas por fazer reflorescer esta instituição serão insuficientes sem que as bênçãos e a Graça de Deus se pousem sobre ela.
Só com a ajuda de Graças intimamente ligadas ao Sacramento do Matrimônio, a família poderá cumprir sua importante missão nesta Terra e preparar para o Céu as almas daqueles que a compõem.
Assim lembrou o Papa Bento XVI na clausura do V Encontro, celebrado em Valência, Espanha: "A família cristã - pai, mãe, filhos - está chamada a cumprir os objetivos assinalados não como algo imposto de fora, mas como um dom da graça do Sacramento do matrimônio infundida nos esposos. Se eles permanecerem abertos ao Espírito e pedirem a sua ajuda, Ele não deixará de lhes comunicar o amor de Deus Pai manifestado e encarnado em Cristo. A presença do Espírito ajudará os esposos a não perder de vista a fonte e medida do seu amor e entrega, e a colaborar com Ele para o refletir e encarnar em todas as dimensões da sua vida. Desta forma, o Espírito suscitará neles o anseio do encontro definitivo com Cristo na casa de seu Pai e nosso Pai". [2]
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[1] João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris Consortio, n. 38.
[2] Bento XVI, homilia por ocasião do encerramento do V Encontro Mundial das Famílias, 9/7/2006.
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Por Pe. Mariano Antonio Legeren, EP