Prezados amigos e amigas,

O presente Blog, tem a finalidade de ser mais um instrumento de valorização da família.
Por isso trará sempre artigos relacionados a esse tema, abordando os diversos aspectos que envolvem a formação de uma família sadia e segundo os preceitos cristãos, além de enfocar os diversos aspectos do relacionamento familiar.
Esperamos assim, que possa servir como um meio de reflexão, ajuda e fortalecimento àquelas famílias que encontram-se em situação difícil.

Que Deus nos ajude nessa empreitada.

Pedimos ainda que a Sagrada Família abençoe e proteja a todas as famílias do mundo inteiro. Amém !

José Vicente Ucha Campos
jvucampos@gmail.com

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

“TWIBLINGS”: a última novidade em procriação artificial

RIO DE JANEIRO, quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos a seguir artigo de Dom Antonio Augusto Dias Duarte, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, intitulado “‘TWIBLINGS’: a última novidade em procriação artificial”. O texto foi enviado a ZENIT pelo bispo nesta quinta-feira.

Uma novidade nem sempre corresponde a uma nova realidade dentro do plano criador de Deus. A criação é, segundo a revelação bíblica que fundamenta a fé católica, um momento de descobrimento do grande e sempre novo achado: a paternidade de Deus.

Criar é um ato amoroso, paterno e divino, pleno de sentido para o ser criado e para toda a natureza, principalmente para o ser humano e para a sociedade humana.

A verdadeira e perene novidade que assombra o mundo é a participação profunda e autêntica do homem e da mulher na paternidade de Deus. Ser pai e ser mãe transcende, eleva-se, ultrapassa todas as dimensões biológicas e técnicas da procriação artificial, e não porque faltem essas dimensões dentro do processo de transmissão da vida, mas porque a paternidade e a maternidade projetam as pessoas para a dimensão única e original do ser humano, que é a sua autêntica identidade.

Um filho tem a sua identidade pessoal formada e amadurecida quando as identidades dos seus genitores mantêm-se puras e inquestionáveis.

Recentemente a mídia internacional noticiou o nascimento de um casal de gêmeos, cujo nascimento deu-se num intervalo de cinco dias. Essas crianças nasceram de duas mães que alugaram seus úteros para a mulher que desejou ser mãe depois dos 41 anos, quando decidiu pelo casamento após uma carreira profissional cheia de sucessos.

Depois de seis tentativas de fertilização artificial com transferência de embriões concebidos para o seu próprio útero, mas que morriam prematuramente, essa mulher de sucesso concebeu uma estratégia para ter a certeza do seu êxito gestacional.

Conseguiu uma doadora de óvulos, garantiu os espermatozóides do seu marido, alugou duas barrigas para a gestação do “twiblings”, termo composto pela palavra twin (gêmeos) com a palavra sibling (irmão), e a estratégia gestacional alcançou o seu sucesso laboratorial e econômico.

A mulher que doou os seus óvulos comprou um carro zero com o dinheiro que recebeu. As locadoras do corpo para a gestação, casadas e com filhos, cujos maridos aprovaram o negócio feito através de uma agência promotora desses encontros de barrigas de aluguel, comprometeram-se a amamentar com seu leite os irmãos portadores do mesmo material genético e com a diferença temporal de nascimento.

O sucesso gestacional foi conseguido, mas várias questões não se levantaram durante toda essa negociação. Uma mãe é a educadora, outra mãe é a doadora dos óvulos, outras duas mães são as gestantes e uns homens são os espectadores dessa última novidade em matéria de procriação artificial.

Os filhos quem são em todo esse processo? Como esses irmãos gêmeos vão reagir ao serem perguntados sobre suas identidades pessoais? De quem são filhos realmente? Quais serão os impactos psicológicos decorrentes dessa busca insaciável de êxito gestacional?

Quando se perde a noção de participação no poder criador de Deus, perde-se também a noção da paternidade e da maternidade autênticas e, consequentemente, vai-se transformando a procriação numa delegação substitutiva.

Sem perder de vista a legitimidade do desejo de serem pais, e compreendendo todo o sofrimento decorrente da infertilidade, entretanto, não se pode deixar de considerar a dignidade da procriação humana.

Nela não ocorrem apenas uniões de gametas, nem sequer um processo gestacional em qualquer barriga, mas nela acontece o ato pessoal mais significativo para uma família.

O ato pessoal do casal homem-mulher que se abre certamente a um fenômeno biológico cada vez mais conhecido, também e principalmente se abre seguramente a um fenômeno humano muito mais significativo, que é o da individualização do filho e, consequentemente, o fenômeno da socialização da pessoa em e a partir da sua família.

A novidade do twiblings pode tornar-se corriqueira e não chamar mais a atenção da mídia, entretanto essa forma de ter filhos tão desejados vai introduzir na humanidade o fenômeno mais antissocial e mais confuso que se pode pensar: a despersonalização da família.

Uma família despersonalizada criará uma sociedade desestruturada, e uma sociedade desestruturada causará um mundo desequilibrado, onde os seres humanos passarão a ter os seus valores considerados a partir de êxitos ou fracassos ocorridos nos negócios onde cada pessoa será um produto de última, penúltima ou antepenúltima geração.

Será esse o mundo que Deus criou e confiou à humanidade para que descobrisse todas as maravilhas presentes nele?

Essa resposta e as demais que devem ser dadas às questões acima levantadas sobre a identidade dos bebês gerados artificialmente reclamam da sociedade atual a atitude aberta à verdade sobre o homem e a mulher como corresponsáveis com Deus pela vida humana e o amor sincero pelas crianças, criaturas que merecem muito respeito pelo direito fundamental de serem criadas através do ato mais humano e divino, que é o da doação interpessoal no matrimônio.

Por Dom Antonio Augusto Dias Duarte

Fonte: Artigo reproduzido do Site www.zenit.org

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

COM 82 ANOS DE CASADOS CASAL NOS EUA TEM O MATRIMÔNIO MAIS LONGO DO MUNDO

Novo México, 16 de fevereiro de 2011 / 09:33 am (ACI)
Marshall e Winnie Kuykendall residem em Novo México (EUA), casaram-se em 1929 e foram os ganhadores indiscutíveis de um peculiar concurso organizado pela organização pró-família Encontro Matrimonial Mundial para premiar os casais com os matrimônios mais longo.
O casal já tem 82 anos de matrimônio e recebeu o reconhecimento na festa de São Valentim, uma grande celebração nos Estados Unidos. Marshall e Winnie, de 103 e 102 anos de idade, conversaram com o grupo ACI no dia 11 de fevereiro e asseguraram que "quando nos casamos, fizemos o juramento de permanecer juntos até que a morte nos separe".
Os Kuykendalls, ambos os oriundos do estado do Arizona, casaram-se apenas cinco meses depois de conhecer-se, têm uma filha -casada há 56 anos- e dois netos.
O Encontro Matrimonial Mundial organizou uma celebração em homenagem aos Kuykendalls no hotel Hampton Inn de sua cidade natal, Lordsburg, realizada em 12 de fevereiro.
Os organizadores felicitaram o casal que resultou ganhador da ampla busca a nível nacional na qual participaram 300 candidatos de todos os estados norte-americanos.
Marshall e Winnie também chegaram à Câmara de Representantes dos EUA em Washington DC, onde receberam presentes, um certificado e uma placa de reconhecimento do "matrimônio mais longo". Também foram honrados pelo governador, os funcionários legislativos estatais e o prefeito do Lordsburg.
Entre os participantes do concurso estavam 100 casais com mais de 70 anos de casados e 155 matrimônios entre 60 e 69 anos de união matrimonial.
Dick e Dianne Baumbach, organizadores do Encontro Matrimonial e dirigentes do concurso, explicaram ao grupo ACI em novembro de 2010 que o concurso procura "dar aos casais jovens a esperança de seu próprio matrimônio".
O Encontro Matrimonial está presente em mais de 90 países, é o movimento maior a favor do matrimônio.
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Comentário do Blog:
Essa é o tipo de notícia que deveria ser divulgada em toda mídia impressa, falada, televisionada, etc, pois é um grande testemunho de que existem diversos casais e famílias pelo mundo a fora que conseguem viver bem, unidos e para sempre, como os Kuykendalls mesmo falaram: "quando nos casamos, fizemos o juramento de permanecer juntos até que a morte nos separe".
Infelizmente o que mais se mostra hoje em dia, são famílias destruídas, casais separados, crianças e jovens esquecidos pelos pais.
Mas, como podemos ver acima, nem tudo está perdido. Os Kuykendalls nos dão um grande exemplo de que é possível ser feliz e por toda a vida.

Fonte: Site da acidigital

POR QUE USAMOS A ALIANÇA DE CASAMENTO NO QUARTO DEDO?

Os chineses têm uma explicação interessante para essa pergunta, que pode servir como reflexão para os casais que estejam em crise. Afinal de contas os chineses, com muita luta e vencendo inúmeras dificuldades, estão conseguindo se desenvolver em diversos aspectos e estão se tornando uma potência mundial. E estão nos dando um boa resposta no caso das alianças, que pode e deve ser seguida por nós.
Vejamos:

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

CRESCE PROCURA POR FORMAÇÃO PARA MATRIMÔNIO ENTRE OS JOVENS CASAIS CATÓLICOS NA IRLANDA

Casais irlandeses jovens estão procurando cada vez mais o Serviço Católico de Atendimento ao Matrimônio (Catholic Marriage Care Service-Accord), a agência de voluntariado católico da Igreja na Irlanda que oferece apoio e mediação a cônjuges e famílias.
Nas primeiras 6 semanas de 2011, 6% a mais de casais jovens procuraram cursos de preparação ao matrimônio em relação a 2010. O dado foi divulgado no momento em que se incrementam os serviços interativos do site da agência, que recebe também inscrições para os cursos.
Os novos subsídios promoverão a compreensão mais profunda do matrimônio cristão e oferecerão informações práticas sobre como organizar o evento.
Além da rede Internet, a Accord divulga, em suas 60 sedes no país, sugestões para ajudar os jovens casais a valorizar seus sentimentos de amor e fidelidade. “As razões para se casar – explicam – são sempre as mesmas: amor, apoio recíproco e vontade de criar uma família”.
Além do suporte pré-matrimonial aos jovens, a agência Accord ajuda casais já formados, com problemas. Este tipo de apoio aumentou 11% em 2009. Naquele mesmo ano, foram assinados 40 mil contratos de consultoria.
Não obstante todas as dificuldades, uma pesquisa realizada pela agência aponta nitidamente a preferência pelo matrimônio tradicional: 75% dos cerca de 20 mil casamentos na Irlanda em um ano são celebrados com o rito católico.

Fonte: Reproduzido do Site da Comunidade Shalom - Blog Carmadélio

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A FELICIDADE MORA NO LAR

A maior tragédia do mundo moderno é a destruição da família.
"Os momentos mais felizes da minha vida foram aqueles, poucos, que pude passar em minha casa, no seio de minha família" (Tomas Jefferson, ex-presidente dos Estados Unidos da América).

A maior alegria é colhida na família, a cada dia. A realidade que mais nos aproxima da ideia do paraíso é o nosso lar. Um homem não pode deixar ao mundo uma herança melhor do que uma família bem criada.
Alguém disse que o mundo oferece aos homens e aos pássaros mil lugares para pousar, mas apenas um ninho. Um homem que não for feliz no lar, dificilmente o será em outro lugar.
Até quando nos deixaremos enganar querendo ir buscar a felicidade tão longe, se ela está bem junto de nós? A família é o complemento de nós mesmos. Ela é a base da sociedade. Nela somos indivíduos reconhecidos e amados e não apenas um número, um RG, um CPF.
É no seio da família que cada pessoa faz a experiência própria do que seja amar e ser amado; sem o que jamais será feliz. Quando a família se destrói, a sociedade toda corre sério risco; é por isso que temos hoje tantos jovens delinquentes envolvidos nas drogas, na bebida e na violência. Muitos estão no mundo do crime porque não tiveram um lar.
Sem dúvida, a maior tragédia do mundo moderno é a destruição da família. As separações arrasam os casamentos e, consequentemente as famílias. Os filhos pagam o preço da separação dos pais; e eles mesmos sofrem com isso. Quando as famílias eram bem constituídas não eram tantos os jovens envolvidos com drogas, com a violência e com a depressão.
Mais do que nunca o mundo precisa de homens e mulheres dispostos a constituir famílias sólidas, edificadas pelo matrimônio, nas quais os esposos vivam a fidelidade conjugal e se dediquem de corpo e alma ao bem dos filhos. E é isso que dá felicidade ao homem e à mulher.
Infelizmente, uma mentalidade consumista, egoísta e comodista toma conta do mundo e das pessoas cada vez mais, impedindo-as de terem filhos e famílias sólidas.
A felicidade do lar está também no relacionamento saudável, fiel e amoroso dos esposos. Sem fidelidade conjugal a família não se sustenta. Essa fidelidade tem um alto preço de renúncia às tentações do mundo, mas produz a verdadeira felicidade. Marido e mulher precisam se amar de verdade e viver um para o outro, totalmente, sem se darem ao direito da menor aventura fora do lar. Isso seria traição ao outro, aos filhos e a Deus.
A felicidade tem um preço; e na família temos de pagar o preço da renúncia ao que é proibido. Não se permita a menor intimidade com outra pessoa que não seja o seu esposo ou sua esposa. Não brinque com fogo!
A grande ameaça à família hoje é a infidelidade conjugal; muitos maridos, e também esposas, traem os seus cônjuges e trazem para dentro do lar a infelicidade própria e a dos filhos. Saiba que isso não compensa jamais; não destrua em pouco tempo aquilo que foi construído em anos de luta. Se você destruir a sua família estará destruindo a sua felicidade.
Marido e mulher precisam viver um para o outro e ambos para os filhos. A felicidade do casal pode ser muito grande, mas isso depende de que ambos vivam a promessa do amor conjugal. Amar é construir o outro; é ajudá-lo a crescer; é ajudá-lo a vencer os seus problemas. Amar é construir alguém querido com o preço da própria renúncia. Quem não está disposto a esse sacrifício nunca saberá o que é a felicidade de um lar.
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Por professor Felipe Aquino (Canção Nova)

sábado, 22 de janeiro de 2011

FAMÍLIA ATUAL, UMA MUTAÇÃO ANTROPOLÓGICA ?

Em poucas décadas, sob o efeito de diversos fatores convergentes, tais como a revolução sexual, a difusão da cultura de massa e a influência dos meios de comunicação social, as possibilidades oferecidas pela manipulação genética, as mudanças na organização da produção, com o advento da informatização e a automação dos processos produtivos e com a prevalência no mercado do capital especulativo “volátil”, de alta rentabilidade, configurou-se um cenário cultural e social no qual floresce uma imagem de homem e de mulher radicalmente diferentes dos anteriores. Alguns autores falam de uma “mutação antropológica” (Scola, 1999, p.316), isto é, de uma visão alternativa e global do homem e de todos os aspectos mais profundos da sua existência.

A mudança que atinge a maneira de compreender o ser humano constitui um processo complexo, do qual são indicadas algumas etapas mais significativas. Começa a prevalecer um dualismo antropológico que separa como mundos distintos o corpo e o espírito. O corpo passa a ser considerado como um material bruto, sem significado pessoal intrínseco e dominado pelo determinismo das leis biológicas e psicológicas. O espírito, representando o mundo da liberdade, da busca da paz interior, da integração cósmica e da elevação mística, estaria justaposto ao corpo, seguindo suas próprias exigências. A mudança mais relevante se verifica no campo da sexualidade que, na nova perspectiva, pode ser vivida sem a abertura à procriação. Este fato retira da sexualidade a característica de ser premissa para constituir uma relação de responsabilidade recíproca, que dure no tempo, capaz de acolher e educar a eventual prole. O exercício da sexualidade perde a exigência de um vínculo estável, em vista de um projeto comum de vida, enquanto conserva o caráter de fonte de prazer. O aspecto lúdico, sempre presente na expressão da sexualidade, acaba por ser a única dimensão que define seu valor, eliminando qualquer responsabilidade da pessoa com o parceiro dos jogos sexuais.

Nesse quadro, o matrimônio e a família perdem significado. Diversas agências da ONU tornaram-se caixas de ressonância dessa mentalidade e, nas Conferências de Cairo e de Pequim, defenderam novos direitos, mais condizentes com a emergente imagem de homem e de mulher, de sexualidade e de maternidade. Os “novos direitos”, no entanto, que são defendidos como sinal de uma maior liberdade (ao aborto, à eutanásia, etc.), constituem na realidade a mais sutil submissão à lógica do mercado, que coloniza todos os espaços da vida, difundindo seus critérios contábeis, de cálculo, de conveniência, do intercâmbio de equivalentes, emergindo como critério fundamental para a tomada das decisões a avaliação de custos e de benefícios (PETRINI, 2000).

A divergência da antropologia, até então aceita, pode ser percebida pelo relatório de Monsenhor Renato Martino, observador do Vaticano junto à ONU: “O princípio de que a sexualidade é inerente à relação conjugal foi tratado nas Conferências do Cairo e de Pequim como uma inútil relíquia do passado. [...] Também a sacralidade da vida foi posta em ridículo e ofendida” (MARTINO, 1997, p.76).

A procriação também pode ser realizada sem o concurso da união sexual sendo, assim, assemelhada à produção de uma mercadoria. Com efeito, a fecundação pode ser obtida através de técnicas de laboratório, não sendo mais necessária a relação sexual. Com o desenvolvimento da clonagem, não será necessário nem mesmo o concurso de um elemento masculino e um feminino. A procriação pode acontecer fora do ambiente da intimidade sexual entre um homem e uma mulher, vivida como expressão do amor, assumindo todas as características de uma produção industrial.

A vida humana não mais é compreendida como relação com o Infinito e por isso inviolável, inegociável. A vida e a morte passam a ser negociadas politicamente e submetidas à aprovação da maioria ou ao arbítrio do indivíduo. A vida humana que começa e a que termina, dentro dessa visão, podem ser suprimidas, sempre que os interesses em jogo assim o preferirem. O embrião não passa de aglomerado de células, podendo ser submetido a qualquer tipo de manipulação. O corpo reduz-se a instrumento de trabalho e de lazer, perdendo outras dimensões.

Diante desse novo cenário desenhado pela cultura pós-moderna, o Papa manifestou muitas vezes sua preocupação, convidando cristãos e “homens de boa vontade” a retomar o desígnio de Deus sobre a pessoa, o matrimônio e a família, para participar do debate em curso, tendo como ponto de partida a visão cristã do ser humano na sua versão mais original. No “Evangelium Vitae” n. 28, ele afirma:

Encontramo-nos diante de uma batalha gigantesca e dramática entre [...] a morte e a vida, entre a cultura da morte e a cultura da vida. Encontramo-nos não apenas “diante”, mas necessariamente no meio desse conflito: todos estamos envolvidos e tomamos parte nele, com ineludível responsabilidade para decidir incondicionalmente em favor da vida (JOÃO PAULO II, 1995, p.57).

O desígnio de Deus sobre a pessoa, o matrimônio e a família

O Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família vem trabalhando, há mais de vinte anos, para compreender essas mudanças e para elaborar uma antropologia adequada às exigências humanas originárias, tendo em vista o diálogo com quantos estão atentos à evolução sociocultural. De modo sucinto, são indicados, a seguir, alguns dos temas mais significativos que vão construindo essa nova perspectiva de reflexão (A BÍBLIA de Jerusalém, 1981, p.34).

O objetivo principal é elucidar o desígnio de Deus sobre a pessoa, o matrimônio e a família, tomando como ponto de partida a narrativa da criação, do livro do Gênesis. Esse relato, de um lado, valoriza a relação do ser humano com o Criador, do qual é imagem e semelhança e, de outro, valoriza a diferença sexual como originária, pois “homem e mulher o criou”(Gn 1, 27). Estão assim articuladas e integradas a dimensão espiritual e a corporal do ser humano, que se afirma como uma união indissolúvel de corpo e de alma (corpore et anima unus). A inquietação relacionada ao desejo de infinito e a busca da felicidade que caracterizam o ser humano de todas as épocas, como a poesia e a arte documentam amplamente, podem ser levadas a sério, abrindo o espaço para a transcendência.

Nesse quadro de referência ao corpo (e à diferença sexual que o caracteriza) é atribuído um significado simbólico, com valor de sinal e expressão da pessoa. Esta é reconhecida como um ser consciente, racional e livre, que traz em si uma vocação originária ao amor, fundamento da dimensão social do ser humano. Com efeito, só na companhia de seus semelhantes ela encontra as condições necessárias para o seu desenvolvimento e para a sua realização, a começar pelo matrimônio e pela família. A pessoa, assim compreendida, é sujeito de uma dignidade absoluta, que não depende de nenhuma qualificação e possui direitos inalienáveis e deveres morais que a colocam como razão de ser de todas as instituições sociais, políticas e econômicas. É apenas o caso de lembrar que é impossível construir a realidade social como ordem, na liberdade e na justiça, quando esses direitos inalienáveis são conduzidos no horizonte do mercado, negociados de acordo com interesses de grupos.

Os estudos teológicos do Instituto estabelecem um nexo entre a revelação divina e a experiência humana que contribui para a renovação de um horizonte metafísico de tipo existencial. Abre-se, dessa maneira, a possibilidade de percorrer um itinerário, antes impraticável, para falar da pessoa, da sua liberdade, da comunhão interpessoal, em analogia com as relações intratrinitárias e do amor esponsal como dom de si no corpo, à imitação de Jesus Cristo que se doou no corpo para a vida do ser humano.

a) Homem e mulher - A diferença sexual introduz o ser humano na consciência de uma deficiência e de uma solidão originárias, na evidência de uma fragilidade radical que poderia desembocar na extinção da própria espécie. Estes limites o impelem à busca e ao conhecimento do outro de si, do diferente, para o qual sente-se atraído e junto do qual pode enfrentar positivamente seus limites. A consciência de si, da própria identidade, nasce do encontro com o outro, que se realiza através do corpo, sexualmente diferenciado. A autoconsciência nasce da reflexão sobre a experiência que pessoalmente cada ser humano faz de si e dos relacionamentos que estabelece com toda a realidade e com o outro sexo. Deficiência, solidão e fragilidade são insuperáveis sem o concurso do outro, que começa a ser percebido como possibilidade de resposta, de solução ao próprio drama. Nesta perspectiva, a sexualidade emerge como condição, como fator fundamental da própria identidade de ser humano.

O ser humano não pode existir sozinho, mas somente como unidade de dois e, portanto, em relação com uma outra pessoa. A diferença homem-mulher é compreendida, então, como a expressão de uma originária unidade dual que implica e valoriza simultaneamente a identidade e a diferença. A mesma dignidade e os mesmos direitos qualificam a identidade do ser humano que aparece na história sempre e somente como homem e mulher, mesmo quando essas categorias parecem culturalmente confusas.

Para compreender o significado da sexualidade humana é necessário, antes de mais nada, deixar falar o dado, ao mesmo tempo fenomenológico e ontológico, que nenhum homem (ou nenhuma mulher) pode ser por si só todo o ser humano: ele tem sempre diante de si a outra maneira de ser, a ele inacessível. Uma alteridade que é diferença distingue o homem a causa de sua natureza sexuada. Também sob este aspecto, manifesta-se inevitavelmente sua contingência (SCOLA 2002, p.32).

A diferença sexual é originária, constitutiva do ser humano, essencial à sobrevivência da espécie, inscrita em cada cromossomo. Ela foi elaborada culturalmente ao longo das gerações, quase sempre em função do jogo de poder entre os sexos. As imagens e os modelos de comportamento masculino e feminino, fruto de circunstâncias históricas determinadas, podem ser colocados em discussão, como de fato está acontecendo, em busca de uma maior correspondência com as exigências de igualdade e de participação. As relações entre os sexos constituem, neste sentido, um interessante entrelaçamento de natureza e cultura.

b) Antropologia dramática - Esta compreensão do ser humano na sua corporeidade sexuada situa-se no horizonte da antropologia dramática. Afirma Von Balthassar, (1992, p.317): “[...] não existe outra antropologia a não ser aquela dramática”. O drama nasce do fato de que o ser humano se move na cena do mundo sobre a qual deve representar a sua parte. Todavia ele compreende que deriva de um primeiro ato não escrito por ele e do qual não participou e se move em direção ao último ato, do qual não conhece o script, não sabendo como terminará. Quando reflete sobre si mesmo, o sujeito individual encontra-se já em ação na cena do grande teatro do mundo. Ele não escolheu começar a existir, no entanto, encontra-se na situação de ter que escolher para edificar uma existência que busca inevitavelmente a sua realização. Como a linha do horizonte, a realização da própria humanidade parece afastar-se quanto mais procura aproximar-se dela (SCOLA, MARENGO e LÓPES, 2000, p.59-60). Move-se na cena do mundo, devendo escolher entre uma ampla gama de possibilidades. “Talvez não há outro ser vivente a tal ponto dilacerado entre alternativas” (STEINBECK apud BALTHASSAR, 1992, p.320). “[...] não pode sair do curso da ação dramática na qual se encontra desde o nascimento, não pode sair para finalmente ponderar sobre o que jogar. Ele já está no jogo sem que alguém jamais tenha perguntado a ele se quer jogar; já recita de fato uma parte, mas qual?” (BALTHASSAR, 1992, p.323).

A unidade dual de homem-mulher, alma-corpo, indivíduo-comunidade, está na origem do drama humano, com efeito, subtrai a pessoa ao determinismo biológico e chama em causa a sua liberdade como último ponto de definição da autoconsciência. A filosofia e a literatura documentam este drama, expresso com diversidade de acentos ao longo dos séculos. Na cultura pós-moderna, no entanto, assume especial importância o esforço para negar o drama, procurando eliminar as perguntas que o alimentam. (BALTHASSAR, 1992, p.335-370).

c) O Mistério nupcial - Mistério nupcial é um dos conceitos mais importantes elaborado pelos teólogos da sede central do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família. Retomando uma antiqüissima tradição, já do Antigo Testamento, o conceito indica não somente a relação nupcial entre um homem e uma mulher, mas, por analogia, a Aliança entre Deus e o povo eleito. Por mistério nupcial, entende-se:

[...] de um lado a unidade orgânica de diferença sexual, amor (relação objetiva com o outro) e fecundidade, de outro, refere-se objetivamente, em virtude do princípio da analogia, às diversas formas do amor, que caracterizam quer o homem-mulher com todos os seus derivados (paternidade, maternidade, fraternidade, sororidade, etc.), quer a relação de Deus com o homem no sacramento, na Igreja, em Jesus Cristo, para chegar até a Trindade mesma (SCOLA, 1998/2000).

Deixando a outros a tarefa de desenvolver os aspectos especificamente teológicos, pode-se compreender o coração da nupcialidade, como a unidade de amor, sexualidade e procriação. Aqui está a originalidade do conceito, que apreende sinteticamente aspectos antropológicos fundamentais, resgatando a unidade que, desde os primórdios da história até poucas décadas atrás, constituiu o eixo da relação homem-mulher, ao redor do qual organizaram-se o matrimônio e a família e, como conseqüência, relações de cooperação e de solidariedade entre os sexos e entre as gerações. Na diversidade das formas que estas realidades assumiram e no meio de contradições que se verificaram, a nupcialidade sempre permaneceu como o núcleo central ao qual se deve atribuir a origem de dinâmicas sociais que desenharam as diversas civilizações.

Na sua acepção mais simples, nupcialidade indica uma relação entre um homem e uma mulher caracterizada por uma certa qualidade. Refere-se à elaboração de um projeto de vida comum que contém, em seu horizonte, a possibilidade de procriar filhos, de acolhê-los e educá-los. A simpatia e a atração entre um homem e uma mulher, que encontram na relação sexual a expressão mais plena, se orientam para a partilha estável da globalidade da existência, a ponto de constituir um casal socialmente reconhecido, caracterizado pela comunhão de habitação, de tarefas, de recursos, em vista da edificação de uma realidade comum, que encontra no matrimônio e na família a sua plena realização. Viver a paternidade e a maternidade no horizonte da nupcialidade, aceitando o empenho de educar a prole, produz mudanças relevantes não apenas na identidade das pessoas envolvidas e nas responsabilidades assumidas, com alterações significativas na organização quotidiana da existência, mas também na sociedade. A rede de relações familiares assim constituída cria espaços de gratuidade e de solidariedade entre os sexos e entre as gerações. E no tecido fino destas relações são transmitidos e consolidados valores, critérios de juízo, crenças, ideais, atitudes, que tornam a vida em sociedade mais ou menos civilizada.

O conceito de nupcialidade indica não apenas um certo tipo de relação homem-mulher, caracterizado pelo envolvimento e pelo dom recíproco de si, pela atenção ao destino do outro mais que ao próprio interesse. Indica também uma postura diante de toda a realidade, uma atitude humana carregada de afeição, atenta para aceitar e valorizar a alteridade, a diferença. Nasce, assim, um modo de relacionar-se com as pessoas, com a natureza e com o mundo dos objetos, compreendendo cada realidade no horizonte de totalidade da qual recebe significado. A nupcialidade sugere um olhar positivo sobre a realidade, capaz de reconhecer a finalidade do objeto, por exemplo, de um rio, de um bosque, de um animal, para além do interesse imediato que mede a sua utilidade. São Francisco de Assis, no seu Cântico das Criaturas, dirige um olhar nupcial sobre todas as criaturas, até mesmo sobre a realidade da morte, desejoso de admirar, acolher, respeitar. No pólo oposto à nupcialidade, situa-se a relação ocasional entre o homem e a mulher, no exercício de uma sexualidade que reduz ao mínimo os vínculos inerentes ao relacionamento. A cultura atual valoriza modelos de relacionamentos caracterizados pela parcialidade, que se limitam a aspectos particulares e envolvem interesses determinados, para um tempo limitado, em vista da maior utilidade.

Na cultura contemporânea, não será um conjunto de circunstâncias biológicas, técnicas e culturais que poderão induzir as pessoas a viver a sexualidade no horizonte do amor nupcial, como pode ter acontecido no passado. A nupcialidade, entendida como união de amor, sexualidade e procriação, poderá ser vivida somente como conseqüência de uma livre decisão, que nasce da compreensão da sua importância para a própria realização.

Por Dom João Carlos Petrini
Bispo Auxiliar de Salvador
Diretor do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

FAMÍLIA, FONTE DE SANTIDADE

Deus nos criou para vivermos em família, como Ele mesmo é uma Família, Três Pessoas distintas em uma única natureza. Quando o Catecismo fala da família, começa dizendo que: Jesus, ao vir ao mundo, não precisava necessariamente viver em uma família, mas Ele assim o quis, para deixar-nos o seu exemplo e ensinamento sobre a nobreza e santidade da família. Quis ter uma mãe e um pai (adotivo), e foi obediente e submisso a eles (cf Lc 2,51). Jesus não precisava ter um pai terreno, já que o Seu Pai é o próprio Deus. Mas Ele quis ter um pai adotivo, legal, como chamavam os judeus. Quando José quis abandonar Maria, em silêncio, para não difamá-la, Deus mandou o Anjo dizer-lhe: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois, o que nela foi concebido veio do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho a quem tu porás o nome de Jesus” (Mt 1,20-21). É como se Deus dissesse a José: eu preciso de você, eu quero você para ser o pai diligente da sagrada Família. Os pais geram os filhos, mais aqui é o Filho quem escolhe o seu pai.

A Família de Nazaré nos dá uma lição de vida familiar. Como disse Paulo VI: “Que Nazaré nos ensine o que é família, sua comunhão de amor, sua beleza austera e simples, seu cárater sagrado e inviolável… Uma lição de trabalho…” (05/01/64). A família é uma escola de virtude e de santidade para todos. Vivendo na família de Nazaré, Jesus nos ensinou a importância da submissão e obediência dos filhos aos pais. Ele, mesmo sendo Deus, se fez obediente àqueles que Ele mesmo criou e escolheu para seus pais. Cumpriu em tudo o quarto mandamento que manda “honrar” os pais. Mais do que ninguém obedeceu à Palavra de Deus que diz:
“Quem honra sua mãe é semelhante àquele que acumula um tesouro”. “Quem teme o Senhor honra pai e mãe” (Eclo 3).

É porque a família é hoje tão ofendida pelas pragas da imoralidade, que a sociedade paga um alto preço social: jovens deliquentes, crianças abandonadas, pais separados, homens e mulheres frustrados, tanta violência, tanto crime, tanta morte…

Essas pobres crianças e jovens desorientados, que vivem pelas ruas, perdendo-se nas drogas, no crime, na violência, na homossexualidade e nas bebidas, etc., apenas estão buscando com isso um pouco de calor humano, afeto, que deveriam ter recebido em suas famílias, e não receberam.

O Catecismo diz que a família “é a sociedade natural onde o homem e a mulher são chamados ao dom de si no amor e no dom da vida. A família é a comunidade na qual, desde a infância, se podem assimilar os valores morais, em que se pode começar a honrar a Deus e a usar corretamente a liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade” (nº 2207).

“É no seio da família que os pais são para os filhos, pela palavra e pelo exemplo… os primeiros mestres da fé”, ensina a Igreja (LG, 11). “É na família que se exerce de modo privilegiado o sacerdócio batismal do pai de família, da mãe, dos filhos, de todos os membros da família, na recepção dos sacramentos, na oração e na ação de graças, no testemunho de uma vida santa, na abnegação e na caridade ativa. O lar é assim a primeira escola de vida cristã e uma escola de enriquecimento humano. É ai que se aprende a fadiga e a alegria do trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e mesmo reiterado, e sobretudo o culto divino pela oração e oferenda de sua vida” (Cat. § 1657).

Essas palavras do Catecismo mostram que o lar é a escola das virtudes humanas; logo, lugar de santificação. Para os pais, a vida conjugal é uma oportunidade riquíssima de santificação, na medida em que, a todo instante, precisam lutar contra o próprio egoísmo, soberba, orgulho, desejo de dominação, etc., para se tornar, com o outro, aquilo que é o sentido do matrimônio: “uma só carne”, uma só vida, sem divisões, mentiras, fingimentos, tapeações, birras, azedumes, mau-humor, reclamações, lamúrias, etc.

A luta diária e constante para ser “exemplo para os filhos”, para manter a fidelidade ao outro, para “vencer-se a si mesmo”, a fim de se construir um lar maduro e santo, faz com que caminhemos para a na nossa santificação. O amor do casal é o sinal e o símbolo do amor de Deus à humanidade, e amor de Cristo à Igreja (cf. Ef 5,21s). Ao se por a caminho para conquistar “esse amor”, o casal se santifica.

A busca da unidade profunda como a do “café com o leite”, o desafio de “construir o outro”, alguém querido, a solução conjunta de todos os problemas, o diálogo frequente e amoroso, o respeito mútuo, enfim, a busca da maturidade essencial para a vida a dois, tudo isso santifica o casal. Além do mais, o conhecimento profundo do “mistério do outro”, a luta para aceitá-lo e entendê-lo, para ajudá-lo a crescer, a paciência, o perdão dado, as renúncias de cada dia, a atenção com o outro para vencer a frieza e a monotonia, o cuidado do lar, da roupa, da comida, do estudo dos filhos, etc., tudo isso concorre para que os pais se santifiquem mutuamente. Deus quis assim, e fez do casamento uma grande escola de santidade. O casal que quiser atingir a perfeição matrimonial, como é o desígnio de Deus, naturalmente chegará à santidade. A casa é para o casal e os filhos, o que o mosteiro é para o monge.

A luta que travamos conosco mesmo para aceitar e suportar os defeitos do outro, a cada dia, com paciência e compreensão, faz-nos santos. As cruzes do lar, o desemprego, as doenças, as dúvidas, os vícios do cônjuge, a dificuldade com os parentes, a preocupação com os problemas dos filhos, etc., tudo isso, torna-se no casamento como que o “fogo” que queima as ervas daninhas de nossa alma e nos encaminha para a perfeição cristã.

É preciso saber aproveitar toda e qualquer dificuldade do lar para fazer dela um degrau de crescimento na fé e no amor a Deus, pois “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rom 8,28).

Por outro lado, a enorme tarefa que Deus confia aos pais, na geração e na educação dos filhos, o exercício dessa missão sagrada coopera para a santificação deles. O Catecismo diz que:

“O papel dos pais na educação dos filhos é tão importante que é quase impossível substituí-los”. E que:“O direito e o dever de educação são primordiais e inalienáveis para os pais” (nº 2221; FC 36). Para cumprir com responsabilidade essa sagrada missão, os pais devem criar um lar tranquilo para os filhos, onde se cultive a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado. Aí deve ser cultivado a abnegação, o reto juízo, o domínio de si, para que haja verdadeira liberdade.

Diz o livro do Eclesiástico: “Aquele que ama o filho castiga-o com frequência; aquele que educa o seu fiho terá motivo de satisfação” (Eclo 30, 1-2). Esse “castiga-o com frequência” deve ser entendido como “corrige-o com frequência”. Mas São Paulo lembra que os pais não podem humilhar e magoar os filhos ao corrigí-los: “E vós, pais, não deis a vossos filhos motivo de revolta contra vós, mas criai-os na disciplina e na correção do Senhor” (Ef 6,4).

É claro que esse equilíbrio e dedicação que é exigido dos pais para educar bem os filhos, é motivo também de crescimento para os próprios pais. E é bom lembrar aos pais que saber reconhecer diante dos filhos, os próprios defeitos, não é humilhação e sim coerência, e isto facilita guiá-los e corrigi-los, como ensina o próprio Catecismo (nº 2223).

“Os filhos, diz o Catecismo, por sua vez, contribuem para o crescimento de seus pais em santidade. Todos e cada um se darão generosamente e sem se cansarem o perdão mútuo exigido pelas ofensas, as rixas, as injustiças e os abandonos. Sugere-o a mútua afeição. Exige-o a caridade de Cristo” (§ 2227; Mt 18,21-22).

Para os filhos, o dever de honrar os pais, estabelece um verdadeiro programa de santificação. Lembra a Palavra de Deus aos filhos: “Honra teu pai de todo o coração e não esqueças as dores de tua mãe. Lembra-te que fostes gerado por eles. O que lhes darás pelo que te deram? (Eclo 7,27-28).

Um filho sábio escuta a disciplina do pai e o zombador não escuta a reprimenda” (Pr 13,1). “Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, pois isso é agradável ao Senhor” (Cl 3,20; Ef 6,1).

“Aquele que respeita o pai obtém o perdão dos pecados, o que honra a sua mãe é como quem ajunta um tesouro. Aquele que respeita o pai encontrará alegria nos filhos e no dia de sua oração será atendido” (Eclo 3,2-6). “Honra teu pai por teus atos, tuas palavras, tua paciência, a fim de que ele te dê a sua benção, e que esta permaneça em ti até o último dia da tua vida.”

A benção paterna fortalece a casa de seus filhos; a maldição de uma mãe a arrasa até os alicerces” (9-11). Um filho abençoado pelos pais é um filho abençoado pelo próprio Deus, porque “a paternidade humana tem a sua fonte na paternidade divina” (CIC nº 2214). Vemos assim que Deus estabeleceu a família como o meio privilegiado para a nossa salvação e santificação, tanto dos pais quanto dos filhos.

Artigo publicado pelo professor Felipe Aquino em 27 de outubro de 2010, no Blog: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/category/familia/

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

NENHUM SUCESSO NA VIDA COMPENSA UM FRACASSO NO LAR

Há vinte anos presenciei uma cena que modificou radicalmente minha vida. Foi num almoço com um empresário respeitado e bem mais velho que eu. Ele era um dos poucos engajados no social, embora fosse pessoalmente um workaholic.
O encontro foi na própria empresa, ele não tinha tempo para almoçar com a família em casa nem com os amigos num restaurante. Os amigos tinham de ir até ele.
Seus olhos estavam estranhos, achei até que vi uma lágrima no olho esquerdo. Bobagem minha pensei, homens não choram, especialmente na frente de outros.
Mas durante a sobremesa ele começou a chorar copiosamente. Fiquei imaginando o que eu poderia ter dito de errado. Supus que ele tivesse lembrado dos impostos pagos no dia, impostos que ele sabia que nunca seriam usados para o social.
"Minha filha vai se casar amanhã", disse sem jeito, "e só agora a ficha caiu. Eu fui um tremendo de um workaholic e agora percebo que mal a conheci. Conheço tudo sobre meu negócio, mal conheço minha própria filha. Dediquei todo o tempo a minha empresa e me esqueci de me dedicar à família."
Voltei para casa arrasado. Por meses eu me lembrava dessa cena patética e sonhava com ela. Prometi a mim mesmo e a minha esposa que nunca aceitaria seguir uma carreira assim.
Colocar a família em primeiro lugar não é uma proposição ética tão óbvia, trivial, nem tão aceita por aí. Basta entrar na internet e você encontrará milhares de artigos que lhe dirão para colocar em primeiro lugar os outros - a sociedade, os amigos, o dever, o trabalho, o cliente, raramente a família.
Normalmente, a grande discussão é como conciliar o conflito entre trabalho e família, e a saída salomônica é afirmar que dá para fazer ambos. Será?
O cinema americano vive mostrando o clichê do executivo atarefado que não consegue chegar a tempo à peça de teatro da filha ou ao campeonato mirim de seu filho. Ele se atrasou justamente porque tentou "conciliar" trabalho e família. Só que surgiu um imprevisto de última hora, e a cena termina com o pai contando uma mentira ou dando uma desculpa esfarrapada.
Se tivesse colocado a família em primeiro lugar, esse executivo teria chegado a tempo, teria levado pessoalmente a criança ao evento, teria dado a ela o suporte psicológico necessário nos momentos de angústia que antecedem um teatro ou um jogo.
A questão é justamente essa. Se você, como eu e a grande maioria das pessoas, tem de "conciliar" família com amigos, trabalho, carreira ou política, é imprescindível determinar, muito antes das inevitáveis crises, quem você prioriza e coloca em primeiro lugar. Você não terá de tomar difíceis decisões de lealdade na última hora, pois a opção já terá sido previamente discutida e emocionalmente internalizada.
Na época pensava deixar de ser professor da USP, apesar do ambiente tranqüilo e dos três meses de férias que a carreira proporcionava. Mas aquele almoço me fez ficar, para desespero de meus alunos.
Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos podem arcar. Implica menos dinheiro, fama e projeção social. Muitos de seus amigos poderão ficar ricos, mais famosos que você e um dia olhá-lo com desdém. Nessas horas, o consolo é lembrar um velho ditado que define bem por que priorizar a família vale a pena: "Nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar".
Qual o verdadeiro "sucesso" de ter um filho drogado por falta de atenção, carinho e tempo para ouvi-lo no dia a dia? De que adianta fazer uma fortuna para ter de dividi-la pela metade num ruinoso divórcio e pagar pensão à ex-esposa para o resto da vida? De que adianta ser um executivo bem-sucedido e depois chorar na sobremesa porque não conheceu sequer a própria filha?

Os leitores que ficaram indignados porque não tiro férias podem ficar tranqüilos. Eu só não tiro férias aqui da Veja, como a maioria dos colunistas.
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Por Stephen Kanitz
Stephen Kanitz é administrador.
Artigo Publicado na Revista Veja, edição 1739, ano 35, nº 7, 20 de fevereiro de 2002, página 26.
Fonte: www.kanitz.com.br 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A FAMÍLIA: FORMADORA DOS VALORES HUMANOS E CRISTÃOS

Um dos principais desafios que a família cristã enfrenta é o de formar a consciência moral dos filhos, numa época na qual os valores morais vão sendo diluídos. Isto torna muito mais importante do que nunca que os filhos sejam educados no amor à verdade objetiva - baseada na natureza humana e na lei revelada -, à justiça, à caridade e à pureza de corpo e de alma.
Dificilmente os mais jovens saberão resistir à onda hedonista e relativista sem o aprendizado em família, o exemplo e o apoio dos pais. Urge, portanto, recolocar a família em seu devido contexto, como lugar principal e privilegiado de formação e educação, transmissora das virtudes e valores.
A Exortação Apostólica Familiaris Consortio faz referência ao ensinamento de São Tomás de Aquino, para ressaltar a alta missão dos pais a esse propósito. "O dever educativo recebe do sacramento do matrimônio a dignidade e a vocação de ser um verdadeiro e próprio ‘ministério' da Igreja a serviço da edificação dos seus membros. Tal é a grandeza e o esplendor do ministério educativo dos pais cristãos, que São Tomás não hesita em compará-lo ao ministério dos sacerdotes: ‘Alguns propagam e conservam a vida espiritual com um ministério unicamente espiritual: é a tarefa do Sacramento da ordem; outros fazem-no quanto à vida corporal e espiritual o que se realiza com o Sacramento do matrimônio, que une o homem e a mulher para que tenham descendência e a eduquem para o culto de Deus'". [1]
É no lar, e somente ali, que se podem desenvolver "alguns valores fundamentais que são imprescindíveis para formar cidadãos livres, honestos e responsáveis, por exemplo, a verdade, a justiça, a solidariedade, a ajuda ao débil, o amor aos outros por si mesmos, a tolerância, etc."
De pouco adiantará os governos se preocuparem em desenvolver o ensino, dotarem as escolas de equipamentos sofisticados e caros e investir na formação de professores, sem antes procurar fortalecer a instituição da família. Difícil será, sem a ajuda dela, combater a criminalidade, a corrupção e tantas outras mazelas.
A superação de todos os problemas da sociedade moderna - seja no nível psicológico, seja no social ou político - está condicionada, como vimos, à revitalização da sua célula básica: a família.
Porém, todos os esforços e as iniciativas humanas por fazer reflorescer esta instituição serão insuficientes sem que as bênçãos e a Graça de Deus se pousem sobre ela.
Só com a ajuda de Graças intimamente ligadas ao Sacramento do Matrimônio, a família poderá cumprir sua importante missão nesta Terra e preparar para o Céu as almas daqueles que a compõem.
Assim lembrou o Papa Bento XVI na clausura do V Encontro, celebrado em Valência, Espanha: "A família cristã - pai, mãe, filhos - está chamada a cumprir os objetivos assinalados não como algo imposto de fora, mas como um dom da graça do Sacramento do matrimônio infundida nos esposos. Se eles permanecerem abertos ao Espírito e pedirem a sua ajuda, Ele não deixará de lhes comunicar o amor de Deus Pai manifestado e encarnado em Cristo. A presença do Espírito ajudará os esposos a não perder de vista a fonte e medida do seu amor e entrega, e a colaborar com Ele para o refletir e encarnar em todas as dimensões da sua vida. Desta forma, o Espírito suscitará neles o anseio do encontro definitivo com Cristo na casa de seu Pai e nosso Pai". [2]
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[1] João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris Consortio, n. 38.
[2] Bento XVI, homilia por ocasião do encerramento do V Encontro Mundial das Famílias, 9/7/2006.
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Por Pe. Mariano Antonio Legeren, EP

sábado, 4 de setembro de 2010

FILHOS NÃO SÃO PROPRIEDADES DOS PAIS

Sabem meus amigos, ao contrário dos exemplos de alguns pais que acabamos de descrever, é costume de alguns outros, sentirem-se donos de seus filhos. Isso tem dois lados a serem analisados. Um bom, pois pode demonstrar preocupação para com seus filhos. Preocupação essa que às vezes é exagerada, levando seus filhos a serem mantidos em verdadeiras prisões e longe da realidade da vida. Não entendem esses pais que um dia seus filhos terão que encarar o mundo e talvez não estejam preparados para tal e podem se machucar seriamente.
O outro lado é daqueles pais que usam essa desculpa para agirem com seus filhos como verdadeiros ditadores, e têm seus filhos como se fossem seus escravos. Acham que só eles são os donos da verdade e que a função dos filhos é servir e atender aos pais, mesmo quando estão errados. Têm uma maneira de pensar, na qual acham que os filhos não podem questionar seus pais. E que os pais jamais devem pedir desculpas aos filhos.
Pais desse tipo são verdadeiros ditadores e nunca se dignam a conversarem com seus filhos sobre nada, pois isso seria uma demonstração de fraqueza suas e poria em risco a sua autoridade sobre eles.
Eu me lembro de uma vez em que eu e a minha esposa estávamos dando uma palestra para jovens, sobre família e relacionamento entre pais e filhos, quando ao final da palestra, um rapaz que devia ter uns 20 ou 22 anos, chegou-se até nós e pôs-se a chorar e nos confidenciou que seu pai nunca tinha conversado com ele sobre qualquer assunto que não fosse para lhe dar alguma ordem ou fazer alguma reclamação. E ele emocionado nos disse que sentia falta de conversar com seu pai, de ter o seu carinho, a sua amizade. Dizia ainda, que seu pai nunca o tinha questionado, depois que se tornou adulto, aonde tinha ido, com quem ia sair ou saiu, por que voltou a tal hora, etc. E que ele também sentia falta disso, pois no seu entender, e estava certo, isso demonstraria que seu pai tinha cuidado com ele e estava preocupado com ele. Ou seja, poderia ser uma pequena demonstração de amor de seu pai por ele, já que outras demonstrações de amor não existiam.
Nesses casos nós sempre levamos o jovem a entender que às vezes está em suas próprias mãos tomar a iniciativa para quebrar essa barreira construída pelos pais com relação aos filhos.
Tem pais que têm medo ou vergonha de dizerem que amam seus filhos, têm medo de acariciá-los, de beijá-los.
Aí só tem um jeito; os filhos devem tomar a iniciativa, e irem quebrando gradativamente essa barreira.
Se os pais entendessem que criam seus filhos não para si, mas para Deus, isso provavelmente não aconteceria. Pois nem esse tipo de comportamento, nem nenhum outro é adequado para se cuidar de alguém que pertence a Deus, como todos nós pertencemos, e nossos filhos idem.
Essa experiência verdadeira de que nossos filhos devem ser criados para Deus, foi muito marcante na minha vida e da minha esposa. E se deu de maneira muito dolorosa.
Foi quando há anos atrás, a nossa filha teve um problema grave de saúde, que nos deixou em determinado momento meio desnorteados.
Num dia pela manhã, nossa filha acordou com dor de garganta. Reclamou conosco e eu fui olhar a sua garganta. Havia somente um ponto pequeno que parecia estar inflamado. Mas, como somos preocupados por natureza, não a deixamos ir à escola e eu a levei ao pediatra. O médico então receitou a medicação cabível e nos liberou.
Uns dois dias depois, nossa filha amanheceu reclamando muito de uma dor na articulação do pé direito.
Levei-a, naquele mesmo dia, de novo ao pediatra. O mesmo não vendo nada aparentemente, mas, como ela afirmava que estava doendo, indicou um exame de raio X. Fizemos o exame e voltamos ao médico. O mesmo continuou a não ver nada demais e receitou outros remédios para minha filha, inclusive para aliviar a dor, caso continuasse a sentí-la.
No dia seguinte, era um sábado, e mais uma vez minha filha amanheceu reclamando da dor no pé; só que agora chorando muito.
Procurei o pediatra novamente, que me aconselhou a procurar um ortopedista em outro bairro. Voltei então para casa e como precaução ligamos para o ortopedista, que estava já do lado de fora de sua clínica, fechando a porta, quando escutou o telefone tocar. Abriu novamente a porta e atendeu ao telefone (só pode ter sido a ação de Deus. Vocês vão perceber o porque estou falando isso).
Quando chegamos a clínica, o ortopedista nos atendeu e imediatamente tirou uma nova radiografia do pé da nossa filha e mandou que fizéssemos de imediato uma ressonância magnética do seu pé e queria o resultado ainda naquele dia. Naquele tempo (há uns 15 anos atrás), normalmente levava de cinco a dez dias para se pegar o resultado de um exame desses.
Fomos, eu, minha esposa e nossa filha, para a clínica que faria o referido exame, num bairro ainda mais distante de onde estávamos. Chegando lá, conversamos com os médicos que fariam o exame, da nossa urgência em ter o resultado. Vendo eles o nosso desespero, nos entregaram o resultado duas horas depois.
Voltamos apressadamente para a clínica do ortopedista que tinha nos atendido e o mesmo ao ver o exame, informou-nos que nossa filha tinha uma doença chamada osteomielite e que ele já desconfiava pela radiografia que tinha tirado, mas que precisava confirmar com a ressonância, o que havia acontecido, e que ele operaria nossa filha imediatamente e que já havia inclusive reservado uma sala de cirurgia num hospital próximo. Ficamos perplexos e sem saber o que dizer ou fazer. Não nos restava outra alternativa, a não ser seguir a orientação do ortopedista.
A nossa filha foi operada, então, ainda naquele dia. Após a cirurgia, permaneceu hospitalizada, tomando uma quantidade maciça de antibióticos, de diversas formas.
Dois dias depois daquela cirurgia, o ortopedista que a havia operado, informou-nos que a levaria para fazer uma radiografia, para verificar como estava a situação do seu pezinho. Fomos juntos e ela tirou a radiografia, ainda na maca.
Mais tarde, naquele mesmo dia, o ortopedista aparece novamente no quarto da nossa filha e para nossa surpresa e desespero, nos informa que ela teria que ser operada novamente e em regime de urgência, pois a bactéria que havia se instalado no seu pezinho, estava agora, instalada em outro lugar da sua perna.
Nesse momento, perdi o controle e segurando o médico pelo colarinho do seu jaleco, cheguei a tirá-lo do chão, perguntando entre gritos e lágrimas se minha filha ia morrer e o que estava acontecendo com ela.
Ele meio surpreso e também atônito, informou-nos que a situação era grave e que nossa filha corria o risco de ter a tal bactéria circulando por todo o seu corpo e que poderia se instalar em outra parte qualquer, num órgão, tal como o coração e pior, poderia tomar todo o seu corpo e ela morreria por septicemia .
As enfermeiras, chegaram então com a maca, para levar novamente nossa filha para a sala de cirurgia e via-se em seus rostos lágrimas rolarem, pois já tinham se apegado a nossa filha, que era muito meiga e que não reclamava das diversas injeções que tomava por dia, dos remédios, etc.
Quando tentamos colocar nossa filha na maca, pela primeira vez, ela refutou e me pediu chorando baixinho, que ela não queria ir de maca e me pediu para que eu a levasse no colo.
Foi quando então, a peguei com todo o carinho desse mundo e chorando copiosamente, comecei a caminhar em direção a sala de cirurgia. O corredor entre o quarto onde estávamos e a sala de cirurgia era muito extenso e em todo o seu trajeto, segurando minha filha nos braços e chorando sobre ela eu fui em silêncio, conversando com Deus. Em determinado momento, entreguei a minha filha a Deus, lembrando-me de Abraão, do Antigo Testamento, que ofereceu a Deus o seu próprio filho Isaac.
Disse naquele momento: “Senhor, a minha filha já não é mais minha, mas sua, fazei dela o que for de sua vontade.”
A partir daquele momento de muito sofrimento para todos nós, passei a compreender que os filhos não são propriedades dos pais, mas sim, são antes de tudo, filhos de Deus, que nos são confiados, para que cuidemos deles, os eduquemos, os protegemos, os encaminhemos pelos caminhos do bem e da justiça; tudo isso para Deus.
E se assim pensássemos o tempo todo, muitos pais não abandonariam seus filhos, pois não são seus, mas de Deus.
Muitos outros não explorariam seus filhos, muitos não os tratariam com arrogância e intolerância e outros tantos ainda, não os desprezariam, nem os humilhariam. Pois são todos filhos legítimos de Deus.
Como mais uma grande graça de Deus, entre tantas outras que recebemos, a nossa filha, depois dessa segunda cirurgia, nunca mais apresentou qualquer problema relativo ao acontecido, sendo acompanhada com exames constantes e periódicos, durante os dois anos seguintes.
É pais...cuidem com carinho de seus filhos. Eles são as sementes de amor que Deus nos deu e para as quais precisamos plantar, regar, cuidar, para que depois, possam florescer e dar frutos para o Reino de Deus ainda aqui na Terra. Essa é a nossa missão. Esse é o nosso sacerdócio e a nossa vocação. Cuidar dos filhos que Deus nos deu, para Ele, e agradecer sempre por nos ter confiado tão sublime missão.
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Do Livro "Filhos, Presentes Especiais de Deus"
Por José Vicente Ucha Campos

FILHOS, ÓRFÃOS DE PAIS VIVOS

Acho que todos vocês já escutaram essa frase em algum momento de suas vidas. Assim como o caso que citamos anteriormente, do rapaz com seus 22 anos e que sentia falta do abraço e do carinho de seu pai.
Existem muitos outros filhos que são verdadeiros órfãos nesse mundo, embora tenham seus pais vivos e
convivam com eles sob o mesmo teto. Já não estou falando nem de pais separados em que cada um vai para
um lado e os filhos é que se virem e que se contentem quando conseguem o convívio com pelo menos um deles. Estou falando de pais que vivem juntos, no mesmo teto, e com seus filhos.
É aí que muitas vezes também encontramos jovens abandonados, pois embora vivam no mesmo teto que seus pais, cada um tem a sua vida. Trocam palavras indispensáveis para que consigam sobreviver, mas falta o sentido de uma verdadeira família, onde a amizade, o amor, o carinho, o respeito mútuo e a atenção são elementos fundamentais e que deveriam estar presentes num relacionamento familiar sadio, respeitoso, caloroso e amoroso. 
Mas, nos tempos atuais, cada vez mais encontramos famílias em que seus membros vivem juntos, mas falta tudo isso que acabamos de falar. A agitação do dia-a-dia, o estresse, a preocupação com o trabalho e o emprego, a busca desenfreada pelo ter cada vez mais, a luta pela independência etc, são elementos que vão minando os nossos conceitos de uma boa convivência e vão transformando o relacionamento entre os membros de uma família em mero convívio de pessoas que se conhecem, sob o mesmo teto.
E onde fica o amor, a atenção para com o esposo, a esposa, e para com os filhos?
Isso tudo que parece para alguns, que é uma maneira normal de se viver em família, onde cada um tem a sua vida e cada um cuida de si próprio, não passa de uma simples convivência social; onde, se sobrar algum tempo extra, o que raramente acontece, de repente um pode trocar uma palavra com outro; mas de preferência sem compromisso e responsabilidade.
O que os filhos estão passando ? O que estão precisando em termos afetivos ? Preocupações e perguntas tais como: Aonde você vai ? Que horas vai voltar ? Com quem vai ?
Advertências visando resguardá-los, tais como: Cuidado ! Não chegue tarde ! Você precisa descansar ! Não vá àquele baile hoje, pois estou preocupado com alguma coisa e não sei o que é !
Se você, meu jovem já escutou ou escuta algumas dessas perguntas ou mesmo advertências, fique feliz, pois seus pais ainda se preocupam com você ! Muitos jovens de várias idades gostariam tanto de escutar essas mesmas palavras.
E se vocês, pais, nunca falaram nenhuma dessas palavras para seus filhos, procurem rever suas vidas e seus relacionamentos com eles, pois com certeza, algo vai errado.
Existem filhos que as vezes reclamam quando seus pais os alertam, os questionam para onde vão e com quem, a que horas vão chegar, etc. Já se consideram adultos e não precisam dessas recomendações, nem preocupações. Alguns pais com certeza já escutaram essas reclamações por parte de seus filhos.
Mas, embora isso exista, com toda a certeza desse mundo, esses mesmos filhos que reclamam, no fundo de seus corações se sentem bem e orgulhosos e confiantes, pois sabem que seus pais se preocupam com eles. Sabem que seus pais estão tendo cuidado para com eles. E isso lhes dá uma confiança muito grande. Pois sentem que têm uma verdadeira família e que podem contar com ela em todos os momentos.
Podem acreditar, caríssimos amigos, esses jovens são felizes. Pois têm verdadeiros pais !
Infelizes são aqueles jovens que têm toda a liberdade do mundo, que podem fazer o que quiserem, que ninguém vai incomodá-los; ninguém os questiona. Esses com toda certeza, são os jovens que mais se sentem abandonados, sentem-se órfãos de pais vivos.
Nosso filho, há pouco tempo atrás, foi dar uma palestra para jovens de sua idade. A sala estava cheia. E ele começou a falar sobre o relacionamento entre pais e filhos, só que abordando o enfoque de filho, como ele o é. Eu e sua mãe o estávamos assistindo, e muito nos surpreendemos quando ele emocionado, a certa altura da palestra, disse aos outros jovens que o estavam escutando, que se sentia muito feliz quando eu ou sua mãe o questionamos quando ele vai sair de casa à noite, fazendo as mesmas perguntas que falamos acima. No entanto, disse que ficava meio chateado quando algumas vezes chegávamos a pedir para que ele não saísse, pois estávamos com nossos corações apertados e não sabíamos porque. Coisas de intuição de pai e mãe.
E isso é difícil de pedir a um filho: que não saia de casa hoje, se ele já estava com tudo planejado.
Aí ele pergunta: - Por que pai, por que mãe, vocês não querem que eu saia hoje? E nós respondemos, com nossos corações apertados e cheios de dúvidas: - Não sei, meu filho. Mas algo me diz para que você não saia hoje. É demais para um filho aceitar isso. Pois não temos uma justificativa racional para a negação, a não ser a justificativa de amor, de carinho e de preocupação, pois só os pais sabem o que se passa em seus corações quando negam algo a seus filhos sem motivo aparente.
E algumas vezes nós agimos assim com o nosso filho, e na hora ele respeitava a nossa opinião, mas como é normal, ficava chateado e meio emburrado. Normalmente os filhos nessa situação, vão para seus quartos e se trancam, curtindo a sua “raiva”.
Mas, se eles fossem pais e se colocassem em nossos lugares, veriam que o amor de pais, também tem dessas coisas. Isso é sinônimo de preocupação, às vezes exagerada, concordo. Mas, é também sinônimo de carinho e amor.
E quem pode dizer que naquele momento também não houve a ação do próprio Deus ou através de seus anjos, zelando pelos nossos filhos e usando a nós pais como seus instrumentos?
Mas, com o passar do tempo, os filhos aceitam e entendem a nossa preocupação. O importante é que tomamos essas atitudes por amor e nunca para firmar a nossa condição de pai ou coisa parecida.
E agora, nós estávamos escutando nosso filho falar para aquela platéia de outros jovens, que ele compreende quando agimos assim, e que nos agradece por isso. É comovente.
Sabem amigos, ele também falou que se sente meio frustrado, quando sai de casa e leva a sua chave da casa. Pois ele considera que aquela chave é só um enfeite em seu bolso, pois ele nunca teve oportunidade de usá-la como seria normal, ou seja, para abrir a porta da nossa casa quando volta da rua. Sabem por que ? Porque nunca aconteceu do nosso filho chegar em casa, fosse a hora que fosse, que eu ou a sua mãe não levantássemos para abrir a porta para ele, e lhe dizer: Boa noite meu filho ! Como você está ? Está tudo bem ? Você quer alguma coisa para comer ? Através dessa conversa rápida, podemos observar também se está tudo bem com ele, se seu comportamento é normal. E olha que confiamos plenamente em nosso filho. Mas, é a nossa maneira de ser, pois o amamos muito e queremos que ele sinta a nossa presença junto a ele.
E por fim dizemos: Vá dormir com Deus, meu filho !
E o que vocês acham disso ? Acham errado ? É cuidado exagerado ? É carinho demais ? Ele vai ficar menos homem por causa disso ? O que vocês acham ? Façam seu julgamento.
Uma coisa é certa, se a maioria dos pais agissem assim, muita coisa poderia ser evitada de acontecer com diversos jovens que chegam em casa embriagados ou mesmo drogados, entram para seus quartos e seus pais nem percebem o que está acontecendo.
Quantos filhos sentem falta dessa atenção !
Criamos nossos filhos também com muita sinceridade e abertura, embora com respeito, que lhes permite hoje em dia se chegarem a mim e a sua mãe, para falarem de tudo de suas vidas, inclusive de namoro, sexo, etc.
Infelizmente, como já falamos, existem pais que não têm paciência, nem coragem de conversar certos assuntos com seus filhos.
Há algumas semanas atrás, fui procurado por um jovem em minha casa, que já conhecíamos, para simplesmente conversar. É isso, ele queria simplesmente conversar com alguém. Desabafar. Ele já não tem mais a mãe e seu pai vive com outra família. Ele ? Vive sozinho com sua irmã de 18 anos, numa casa. Ele tem 20 anos. Trabalha e estuda.
Sua mãe morreu há alguns anos, de depressão aguda, quando seu pai os largou, para viver com outra mulher. E esses dois jovens, mais uma vez, é que “pagaram o pato”. Quando seu pai os abandonou, ele tinha 10 anos e sua irmã 8. A menina até hoje tem problemas sérios de depressão, já tentou suicídio duas vezes, pois acha que ninguém gosta dela.
E o rapaz, queria simplesmente conversar ! Estou escrevendo isso e meu coração está sangrando de tristeza. As lágrimas me vêm ao rosto quando lembro disso. Ele só queria conversar com alguém !!!
Seu pai vive no mesmo Bairro que ele e sua irmã, mas nunca os procura. Por que ? O que se passa nesse coração, meu Deus ?
Depois de uma de nossas conversas, das diversas vezes que ele já me procurou, ele me disse: Sabe tio (é assim que ele me chama), eu já conversei coisas com você , que nunca falei para o meu pai. Você sabe mais da minha vida do que ele.
Após ele sair da minha casa nesse dia , chorei muito. De alegria, por poder estar ajudando a um jovem; mas também, de tristeza, pois quem tinha que estar escutando isso era o seu verdadeiro pai. Que está tão perto dele fisicamente, mas tão longe espiritualmente e amorosamente.
É meus amigos...Infelizmente, esse jovem é mais um “órfão de pai vivo.”
Há uns dois anos atrás, uma amiga da minha esposa chegou um dia em nossa casa, apavorada.
Contou-nos ela, que seu filho de 17 anos, namorava uma menina do mesmo Bairro onde morava. Um belo dia a menina apareceu grávida e seus pais não sabiam e nem desconfiavam. A mãe do rapaz questionou então, seu filho, e a resposta foi a mesma de sempre: “aconteceu mamãe”, “nós não queríamos, mas...”. A mãe do rapaz nos contou também como era a vida da namorada de seu filho junto a seus pais. Eles moravam numa casa de dois andares. O quarto dos pais era na parte de cima da casa e o quarto das meninas (a namorada do rapaz e a irmã), era no andar térreo.
Quando dava uma determinada hora da noite, os pais das meninas subiam para seu quarto, trancavam a porta e podia cair o mundo que eles de lá não saíam. Só o faziam no dia seguinte.
As meninas então estavam acostumadas a, assim que seus pais subiam para seus aposentos, fazerem tudo o que tinham direito, ou seja, saiam de casa para festas e bailes, voltando altas horas da madrugada, assim como saíam para namorar. E numa dessas escapulidas, a namorada do filho da amiga da minha esposa, ficou grávida.
Mas o pior vem agora. Quando o pai descobriu que a sua filha estava grávida (chegou num ponto que não deu mais para esconder), ele virou uma fera. Ameaçou por diversas vezes a menina, dizendo que ela não poderia ter aquele filho e que deveria procurar um jeito de fazer o aborto. Como a menina, graças a Deus, não o atendeu, ele chegou a um ponto de dar chutes na barriga da filha para ver se ela abortava. Tudo isso porque ele não queria que a vizinhança ficasse sabendo que uma de suas filhas estava grávida sendo solteira ainda. Antes de mais nada é um verdadeiro criminoso e eu cheguei ao ponto de falar para a amiga da minha esposa que se ele continuasse a fazer isso eu iria denunciá-lo a Polícia e ao Conselho Tutelar. Graças a Deus ele parou.
Agora vamos analisar esse comportamento. Que direito tem esse pai de cobrar alguma coisa de sua filha, se não ligava a mínima para ela ? Se não tomou os cuidados necessários que todos os pais responsáveis devem ter para com seus filhos ? A única coisa que o incomodou foi o que os vizinhos poderiam falar ! Ora, tenha a santa paciência...!
Esse pai deveria sim, mesmo a filha tendo errado, acolhê-la e à sua futura neta, que ele não chegou a ver, pois a menina teve algum tempo depois um aborto expontâneo e perdeu o bebê. Era uma menininha. Com certeza foi mais um anjinho que chegou no céu !
Essa menina, quase mãe precoce, é mais uma jovem órfã de pais vivos!
Vocês pensam que terminam aí os diversos casos de jovens órfãos de pais vivos ? Infelizmente não. Existem inúmeros casos de jovens cujos pais estão vivos, que em algum momento de seus relacionamentos, se separaram e hoje vivem um para cada lado. Seus filhos ? Se viram sozinhos ! São jovens de 16, 17, 18, 19,... anos. Jovens que têm pais que moram em suas novas casas com outras esposas e filhos, mães que moram em outras casas com seus novos maridos e também filhos. E ambos que não querem saber de seus filhos do primeiro casamento.
Aliás, para ser completamente justo, existem alguns pais que de vez em quando se preocupam com seus filhos, e até os chamam para passarem um dia com eles, na casa do pai ou da mãe. Isso quando as suas novas famílias permitem e não se sentem incomodadas.
Os filhos ? Vivem sozinhos todo o restante do tempo. Natal ? Ano Novo ? Dia dos pais ? Dia das mães ?
Muitos desses jovens arrumam amigos, que normalmente têm o mesmo tipo de problema e se juntam a eles para passarem essas datas pelo menos na companhia de alguém.
Mas tem o seu lado positivo !? É que muitos desses jovens, ou quase todos, aprendem a se virar sozinhos, e aprendem então a cozinhar (coitados, pelo menos tentam). Um dia fui a casa de um deles, num domingo, na hora do almoço e ele estava comendo ovo cozido com macarrão instantâneo. Isso num domingo, que é um dia de se comer melhor em família. Desculpem, mas esse jovem não tem família. Pelo menos que o ame.
Em outro dia, um outro jovem chegou a minha casa por volta das quatro horas da tarde. Estávamos sentados à mesa para tomar um cafezinho da tarde. Era também um domingo. Oferecemos a ele o café, e durante a nossa conversa ele nos disse que aquela era a sua primeira refeição do dia. Sua mãe, também separada, tinha arrumado um namorado e tinha ido desde sexta-feira à noite, com ele, para uma praia na Região de Angra dos Reis. Só voltaria no domingo à noite e bem tarde. Aliás, ele confessou que todo o final de semana sua mãe costuma fazer isso.
O rapaz e sua irmã, menor de idade, ficam sozinhos em casa.
Tudo bem que todos tenham o direito de reestruturarem suas vidas após relacionamentos desfeitos. Não estou questionando isso, nem julgando ninguém. Só questiono é, porque se esquecem dos filhos do primeiro casamento ? Por que se esquecem que colocaram filhos no mundo e que esses mesmos filhos precisam ainda de carinho, de amor, de compreensão, de amizade, de segurança; enfim, de um lar. E quem não precisa ? Afinal, não é isso que esses pais estão procurando novamente ?
Numa celebração da Páscoa, há pouco tempo atrás, quando normalmente nos reunimos em família, na casa de meus pais, junto com meus irmãos, cunhadas e sobrinhos, convidamos alguns jovens para participarem conosco. Fizemos o convite, até já sabendo que talvez a maioria deles não pudesse ir, pois iriam passar o Domingo de Páscoa com seus pais.
Maior não foi a nossa surpresa quando todos os jovens que convidamos nos brindaram com as suas presenças e ainda levaram outros jovens. Foi um almoço de Páscoa dos melhores que já tivemos e dos mais alegres.
Mas, quando voltei para casa, à noitinha, comecei a pensar e a raciocinar. Por que aqueles jovens estiveram lá conosco ? E a resposta que eu mesmo concluí, não foi das mais felizes. Tiveram condições de almoçarem conosco naquele domingo, porque provavelmente não tiveram como estarem com seus pais.
Aí comecei a analisar a vida de cada um deles que lá esteve. E me bateu uma tristeza muito grande, pois a realidade daqueles jovens era cruel e triste.
Todos, eram filhos de pais separados, e estavam em número de dez jovens. De um deles , a mãe era aquela que tinha ido com o namorado para a Região de Angra, o outro a mãe mudou-se para uma casa no centro da cidade e deixou-o com o seu irmão, morando sozinhos. Duas das meninas, a mãe mora em um bairro, o pai em outro e elas moram sozinhas. Ao procurarem a mãe para lhe dar um abraço de Páscoa no domingo pela manhã cedo, descobriram que a mãe tinha viajado com uma amiga. Uma outra menina, não pôde ir até a nova casa onde a mãe mora com outro marido porque o seu cônjuge não a aceita. A outra menina, a nova esposa de seu pai também não a aceita, por achar que ela pode roubar a atenção do marido, que deve dá-la ao filho pequeno que eles têm juntos.
E assim vai ...!!!
E a coisa é tão séria meus amigos, que outro dia fiquei chocado (“ainda bem que ainda estou me sentindo chocado com essas situações tão corriqueiras”), quando li em um jornal de grande circulação a seguinte manchete: “STJ vai decidir se pai deve indenizar filho por falta de atenção e carinho”.
Aquele título me deixou meio que desconcertado. Pensei: Será que é o que estou pensando mesmo, ou o título é sensacionalista e a matéria não tem muito a ver com ele ?
Ao ler a reportagem deparei-me com a realidade dos fatos. Realmente era o que eu estava pensando, ou seja, mais uma história real de abandono, de falta de carinho de um pai para com um filho, que hoje está com 24 anos e reclama, que desde os 6 anos de idade seu pai, ao formar outra família onde teve outra filha, o abandonou. E, ao invés de lhe dar carinho e atenção também, como era direito seu, como filho; “só recebeu frieza, abandono e rejeição, mesmo em datas importantes como aniversários e formatura do colégio”, conforme as próprias palavras no texto da reportagem.
Por isso, aquele jovem, estava entrando na justiça contra seu próprio pai, reclamando uma indenização pelo abandono que sofreu quando mais precisava do pai. A título de curiosidade e de “alerta para outros pais”, a indenização pedida era de R$ 52.000,00.
O que aumentou mais o meu espanto, foi que ao final da reportagem, vinham as seguintes palavras:
“Levantamento feito pelo STJ mostra duas decisões anteriores em casos parecidos. Em Capão da Canoa (RS), um pai foi condenado a pagar 200 salários-mínimos à filha. E, em São Paulo, outro pai indenizou a filha em R$ 50.000,00”. Termina a reportagem.
O que me espantou nesta reportagem, foi a constatação de onde chegamos na Sociedade em que vivemos. É o cúmulo, que um filho entre com uma ação na justiça contra seu próprio pai, porque este não lhe deu carinho, amor e atenção, na sua vida.
Não estou questionando a ação do filho ou das filhas, mas sim, a situação em si, que demonstra a falta de carinho, de amor, de compreensão e de atenção dos pais para com seus próprios filhos. Aqueles mesmos filhos que nasceram de momentos de amor e de carinho, com suas esposas.
Estes filhos, são frutos do amor conjugal de esposo e esposa. Pelo menos espero que assim o tenham sido.
E como pode, um fruto do amor, terminar com uma demonstração de raiva ou até ódio, levando ao ponto que acabamos de descrever ?
É como diz um amigo meu. Se o mundo ainda não chegou ao seu final, está no ensaio geral !
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Do Livro "Filhos, Presentes Especiais de Deus"
Por José Vicente Ucha Campos

MARCAS PARA SEMPRE

Será que alguns de vocês pais ou filhos, se enquadraram em algumas dessas histórias que eu narrei até esse momento? Se isso aconteceu, está no tempo de mudar. Não continuem vocês pais, levando suas vidas fingindo que está tudo bem e fazendo esforço para esquecer que vocês têm filhos e filhas, que os amam e só estão esperando uma pequena sinalização para que possam se achegar novamente a vocês e amá-los pelos restos de suas vidas.
Dêem essa oportunidade a eles e a vocês mesmos.
Não importa o que tenha acontecido, os aborrecimentos que se sucederam, se o rompimento foi tranquilo ou doloroso. Se ficou ódio ou rancor. Tomem uma decisão importante para suas vidas. Estou falando com vocês: pais e filhos.
Você pai, tome a iniciativa. Procure seu(s) filho(s) e/ou filha(s), puxe conversa como quem não quer nada. Vá conquistando-os novamente. Pode ser que demore um pouco ou mesmo que você encontre uma certa resistência. Mas, Vale a Pena !
E vocês ? Filhos e filhas ! Se seus pais ainda não tiveram a coragem de se achegarem a vocês, tomem então a iniciativa. Reconquistem seus pais. Também Vale a Pena ! Não deixem que as amarguras passadas, mantenham-nos com esse vazio que existe dentro de vocês.
Cheguem-se a seus pais. Talvez também não seja tão fácil, pois às vezes mesmo querendo a reconciliação, os pais não querem dar o braço a torcer, porque será uma situação nova para eles e que eles ainda não sabem muito bem como lidar com isso. Por isso, é importante que vocês filhos, vão quebrando esta parede que muitas vezes acha-se à frente de seus pais, como uma forma de defesa deles.
Eu sei que vocês devem estar pensando: Puxa , nós somos seus filhos e não seus inimigos.
Mas é assim mesmo. O medo existe também do lado deles. E é muito mais difícil para um homem formado, aceitar que errou e que agora tem que assumir esse erro e voltar atrás, e às vezes pedir desculpas.
Sei também que quando a separação foi sofrida, ficam marcas e marcas que muitas vezes são muito difíceis de serem apagadas.
É aí que me lembro que uma vez li, não sei onde, uma estória de um relacionamento entre pais e filhos, que talvez consiga definir melhor o que eu quero transmitir a vocês nesse momento.
Era uma vez, uma família formada por pai, mãe e um filho. Como em algumas famílias que alguns de vocês devem conhecer na vida real, o pai era uma pessoa muito rude e severa. Estava o tempo todo sério e poucas vezes o viram sorrindo.
Preocupava-se com o trabalho, a manutenção da casa e só. Tratava sua esposa de modo rude e isso deixava seu filho muito triste durante o tempo em que era criança e depois irritado e as vezes com raiva, quando já tinha seus 14, 15 anos.
Nunca fez um carinho em seu filho e achava que essa era a maneira correta de criá-lo para que crescesse como um verdadeiro homem. Pois achava que carinho era coisa de mulher.
Seu filho então cresceu sem conhecer o carinho e a amizade de seu pai.
Comparecer a escola para reunião com professores ? Jamais.
Festa de aniversário ? Só quando era muito criança ainda. Pois depois achava que isso era besteira e coisa de mariquinha.
Conversar com seu filho ? Muito pouco. E na maioria das vezes que isso aconteceu, era para achar ruim com o filho por alguma coisa que ele achava que o filho tinha feito errado.
O tempo foi passando e o filho foi crescendo com uma tristeza e uma mágoa muito grande em seu coração.
Filho e pai já não se falavam mais, não por culpa do filho que em algumas vezes tentou se chegar ao pai, sem no entanto encontrar reciprocidade.
Um dia esse rapaz, já com seus 18 anos, começou a sentir dores de cabeça frequentes e cada vez mais fortes.
Sem ter como falar com seu pai, procurou sua mãe e lhe contou o que vinha sentindo já há algum tempo, sem no entanto, nunca ter reclamado.
Sua mãe ficou preocupada e com certo medo, contou ao pai do rapaz. Que mais uma vez, agiu segundo o seu modo e falou para a esposa que achava que aquilo era frescura. Quem sente dor de cabeça é mulher. Homem não.
A mãe continuando com a sua preocupação e vendo que seu filho por diversas vezes ficava em seu quarto se contorcendo em dor, aconselhou-o a procurar um médico. Já não aguentando mais o rapaz a atendeu. Foi quando após algumas consultas e exames, recebeu a pior notícia de sua vida. Estava com um tumor cerebral e precisaria sofrer uma cirurgia de emergência e que por sua vez não garantiria a sua cura, pois o problema era muito sério.
Quando o rapaz contou a sua mãe o seu desespero foi grande, mas silencioso, pois não tinha com quem repartir essa dor.
Um dia, porém, quando o pai do rapaz estava passando em frente ao quarto onde sua esposa fazia suas costuras, viu que a porta estava entreaberta e escutou um sussurro vindo lá de dentro. Entre a fresta aberta, ficou observando e viu sua esposa chorando, ajoelhada em frente a uma imagem de Jesus Cristo, suplicando e implorando a Ele que realizasse dois milagres na sua vida.
O primeiro era que curasse seu filho daquele tumor que ele tinha no cérebro. Essa era a primeira vez que o pai havia tomado ciência daquele problema de seu filho e ficou meio surpreso e confuso, sem entender muito bem o que se passava.
Para sua maior surpresa, o segundo pedido de sua esposa, à frente da imagem de Jesus Cristo, era que Ele tocasse no coração de seu esposo, transformando-o de um coração de pedra em um coração de carne e que isso permitisse que seu esposo passasse a amar seu filho e eles se falassem antes que alguma coisa de pior acontecesse com o rapaz.
O esposo ficou ali, em frente àquela porta por um longo tempo, ouvindo a conversava da sua esposa com Jesus, e viu a fé daquela mulher e o seu pranto, não de raiva por ele ser como era, nem por lhe tratar mal ou coisa parecida; mas sim, pedindo a Deus que transformasse seu coração num coração que fosse capaz de amar seu próprio filho. Aquele que tinha sido fruto do amor que ele um dia sentiu pela sua esposa e que ela não sabia porque ele agia de forma tão diferente hoje em dia.
Aquela cena que ele presenciou e o que ele escutou, calaram fundo em seu coração e ele começou a se questionar internamente, do porque agia assim.
O pai começou a observar mais seu filho, sem deixar que o rapaz percebesse isso. E notou que por diversas vezes seu filho ia para o quintal e ficava sozinho, perto de uma árvore grande e frondosa que eles tinham no quintal e que, quando garoto, gostava de brincar nela. O pai também gostava muito dessa árvore, pois ele é que a havia plantado, visando ter sombra no quintal.
Reparou ainda que sempre que o rapaz se chegava perto da árvore, chorava muito. O pai, não ficava observando muito para evitar que seu filho percebesse que ele estava ali por perto.
Um dia estava o pai assistindo televisão próximo a sua esposa quando os dois escutaram um forte barulho, como se fosse alguma coisa caindo. O barulho vinha da cozinha.
A esposa correu primeiro e foi ver o que tinha acontecido e se deparou com seu filho caído no chão. Deu um forte grito chamando o marido.
Esse levantou-se rápido e foi ver o que havia acontecido e deparou-se também com o seu filho caído desacordado, no chão da cozinha.
Por alguns segundos o pai ficou ali vendo seu filho caído, desacordado e muita coisa veio a sua cabeça e ao invés de socorrer seu filho, começou a chorar copiosamente e soluçava como uma criança.
A esposa ao ver aquilo ficou mais nervosa ainda e começou a chorar também, mas mesmo assim, abaixou-se e tentou levantar o seu filho. Não conseguiu, pois o rapaz era forte e pesado.
Então o pai ajoelhou-se junto ao rapaz, segurou-o no colo e erguendo a cabeça, olhou para alto e gritou em voz forte.
“ Senhor Jesus, salva meu filho ! ”
Pegando o rapaz com dificuldade, levou até a sua cama e pediu que enquanto isso sua esposa chamasse um médico.
O médico veio e ao se deparar com o quadro, chamou uma ambulância e encaminhou o rapaz para o hospital mais próximo, pois ele não estava nada bem. Os pais o acompanharam na ambulância.
Após o atendimento de emergência, no qual o rapaz foi reanimado, ficou decidido que ele seria operado de imediato com o acompanhamento do médico que estava acompanhando o caso. E isso seria no dia seguinte.
A mãe ficou no hospital a noite toda e o pai foi para casa. Queria ficar sozinho.
Ao chegar em casa, a primeira coisa que fez foi abrir a porta do quarto de costura da esposa e se ajoelhar em frente a imagem de Jesus Cristo.
Ali ficou a noite toda, chorando e orando ao seu jeito, pela vida do seu filho e pedindo desculpas a Deus, por ser como era e por ter trazido tanta mágoa para sua esposa e filho, e ainda, por ter perdido um tempo precioso no qual não “viu” seu filho crescer e se tornar homem.
Agora estava ali, implorando pela misericórdia de Deus, para que salvasse seu filho, de forma a que pudesse recuperar um pouco esse tempo perdido e tentasse se reconciliar com seu filho, se ele ainda quisesse.
Ao amanhecer, cedo ainda, o pai triste e confuso, foi ao quintal para, junto das árvores que lá haviam, tentar aliviar um pouco seu coração e continuar pensando na sua vida passada e de como seria daqui para frente.
Quando por acaso, chegou junto daquela árvore que ele tinha visto seu filho, sozinho, ficar perto por algumas vezes. Reparou com surpresa e mais confusão de idéias ainda, que a árvore estava toda cheia de pregos cravados no seu tronco.
Não estava entendendo nada e pensou rapidamente que algum estranho, por maldade, havia feito aquilo. Mas, logo depois, refletiu melhor e juntou os fatos da árvore estar assim e de ter visto seu filho por diversas vezes junto à ela. E começou a se perguntar. O porque ele tinha feito aquilo, se gostava tanto daquela árvore, assim como ele também gostava.
Se arrumou, e foi para o hospital, com todas aquelas dúvidas e tristeza no coração.
Chegando lá teve a notícia que seu filho já estava sendo operado.
A operação, embora muito difícil, delicada e demorada, tinha corrido bem e os médicos estavam otimistas com a recuperação do rapaz.
O rapaz, após algum tempo de recuperação e acompanhamento médico, saiu do hospital e foi para casa. O pior tinha passado, mas o risco sempre o rondaria.
Num dia de sol, o rapaz saindo à porta dos fundos de sua casa, viu que seu pai estava sentado, de costas para a porta da casa, junto àquela árvore que eles gostavam.
Se encheu de coragem e se aproximou, e ao chegar perto do pai, viu que ele estava chorando em silêncio.
Sem falar nada o rapaz se abaixou ao lado de seu pai, o abraçou bem apertado, no que foi correspondido, e choraram muito.
Sua mãe, que não se descuidava do filho um segundo sequer, viu aquela cena, da mesma porta da casa, e também começou a chorar. Mas, de felicidade e agradeceu a Deus, em seu coração, por aqueles grandes milagres que ela havia pedido, estarem acontecendo em frente aos seus olhos.
Ainda junto da árvore, pai e filho, se abraçando, se deram um beijo no rosto um do outro e começaram a sorrir. Era uma mistura de risos e lágrimas de felicidade .
Após algum tempo nesse êxtase, o pai meio sem jeito, perguntou a seu filho, com todo o cuidado e carinho, se havia sido ele que tinha colocado aqueles pregos na árvore.
O rapaz, agora com uma mistura de sentimentos de amor, felicidade e tristeza, disse que sim. E seu pai lhe perguntou por que ele havia feito aquilo.
Foi quando o rapaz respondeu:
- Pai, você se lembra das dificuldades pelas quais passamos em nosso relacionamento ?
O pai respondeu que sim.
- Pois bem, querido pai, todas as vezes que o senhor me tratava mal, brigava comigo, me desprezava ou mesmo me tratava com frieza, eu vinha aqui fora e chorando muito de tristeza, colocava um prego nesta árvore que eu tanto gosto e que o senhor também gosta.
Continuou ele:
- Talvez, pai, eu tenha feito isso como uma forma de deixar registrado em algum lugar além do meu coração, a tristeza que eu sempre senti, pelo senhor me tratar assim.
O pai, chorando copiosamente, mas ainda agarrado ao filho, lhe disse:
- Filho querido, se eu te pedir perdão, você me perdoaria ?
- O filho respondeu, também chorando muito, que sim.
E então o pai prometeu ao filho que mudaria sua vida e que o amaria muito e tentaria recuperar o tempo perdido, tentando fazê-lo feliz. E lhe fez outro pedido:
- Querido filho, se eu te pedir também, que para cada coisa boa que eu fizer daqui pra frente, que te faça feliz, você retira um prego desta árvore ?
O filho respondeu que sim.
E assim eles passaram a viver suas vidas, pela primeira vez, como uma verdadeira família. Uma família feliz. E que conheceu o amor e a felicidade, através do sofrimento.
O rapaz ia se recuperando bem. Sua mãe não sabia o que fazer para agradecer a Deus pelos milagres que Ele lhe havia concedido. E o pai tentando corresponder bem ao amor de seu filho.
Um belo dia, o pai novamente passando perto da árvore, reparou que ela estava sem nenhum prego. Sua felicidade foi muito grande e correu então para chamar o filho e os dois foram até a árvore, onde ele agradeceu a seu filho por ter retirado os pregos como lhe havia pedido.
Seu filho lhe disse que tinha feito aquilo com muito amor e prazer, mas perguntou ao pai o que ele via quando olhava para a árvore agora. O pai respondeu que via uma grande quantidade de marcas de pregos.
Foi aí que o filho lhe disse:
- É meu pai, os pregos eu consegui retirar, mas as marcas ficaram. Essas, eu não sei como, nem quando, vou conseguir tirá-las.

É..., meus amigos, mesmo que vocês pais tenham feito seus filhos encherem a árvore de seu quintal com pregos, ajude-os a retirá-los.
Assumam seu amor por eles. Procurem-nos. Peçam desculpas, abrace-os e beije-os. Não esperem mais tempo. Pode ser que vocês não tenham tempo para fazer isso. Quem sabe ?
Está na hora de deixar o orgulho de lado, as preocupações com vocês mesmos, o medo de perderem a condição de durões. Chegou a hora do amor, do perdão e da reconciliação.
O que está faltando ? Um empurrãozinho ? Considerem-se empurrados.
Não esqueçam que é possível retirar os pregos da árvore . Basta quererem.
As marcas deixadas pelos pregos...? O tempo, a natureza e principalmente o amor, um dia as encobrirão.
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Do Livro "Filhos, Presentes Especiais de Deus"
Por José Vicente Ucha Campos